segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Pequenas evoluções, grandes inaugurações: o Tabuleiro virou

Guy pegou o pente e passou no cabelo
Esfregou as mãos pra limpar e bateu nas palmas do mesmo jeito que faz o papai
Toda vez que ele pega uma coisa tenta colocar no mesmo lugar
Brinca com agente de correr e pegar
Ele senta na cadeira e participa das atividades da escola
Já molha o pincel na tinta e leva ao papel

Desde que nos mudamos, sua vida mudou da água pro vinho.
Ele dorme às 9 da noite e acorda com o sol. Na casa anterior nunca dormia antes das 24:00 e sempre acordava lá pelas 10:00....(pra mim não é mais tão cômodo, mas isso não importa agora)
Explora o sítio todo, do seu geitinho, meio quieto, as vezes sozinho.
Se joga na piscina toda hora, nos convida pra correr, se diverte com as músicas, toma sol e toma chuva.
Fala muito mais do que antes, embora ainda não identifique no seu linguajar, o idioma brasileiro.

Em duas semanas eu inaugurei uma casa, uma loja, um jornal comunitário, e uma governanta que é a luz, é raio estrela e luar..

Estou pedindo menos pois temo negligenciar Guy. Tento dedicar toda a manhã na sua companhia, o resto eu me viro do meio dia pra tarde. Reunião de pauta, execução de pautas, distribuição de jornal, pedreiro, marceneiro, faxineira, encanador, a compra, controle fincanceiro, fluxo de caixa. Ás 17:00 horas abro a loja e começa a peregrinação, minha loja parece a Meca. A noite toda gente me alugando. Fico até umas 23:00.
Estou perdendo pra insônia e ainda acordo junto com o Guy, que acorda junto com o sol, mas ok, um problema de cada vez, por favor.

No fechamento do jornal dei virote de três dias, o último com toda a equipe de edição lá na Casa do Boneco. Foram momentos especiasis pois é muito gostoso esse trabalho de redação, todo mundo opinando e a coisa saindo, e ficando bonita. Mas minha cabeça pendeu, eu já não raciocinava mais, desmaiei às 3:00 da manhã, em frente ao computador, deixando alguns erros de edição e a bomba na mão de Dani, Say e C, que ficaram até as 5:00.
O jornal ficou lindo, muito elogiado. Está gerando uma bela polêmica na cidade. Por causa dele, Jorge Rasta deu uma entrevista de 2 horas na rádio e até hoje não para de receber visitação de pessoas indignadas com a nossa coragem em falar a verdade. Ainda bem que Jorge tem peito. Bate nele e diz "Não vamos parar".
Obrigada Mestre.


Quinta vou pra sampa. Fazer compra e trabalhar numa matéria com Babu, ver meus sobrinhos e cia.
Volto dia 13 com a dinda Bocão que vai segurar no chifre do touro comigo.
Que será de nós neste verão? Ainda bem que vai ser curto.


Mar nunca mais eu vi. Meu maior problema agora é a adminitração do tempo. Mas vamo que vamo, as mudanças estão aceleradas e tudo isso é uma fase muito efêmera.

Rezo agora pra Eolo, que bata um vento muito forte que carregue pra longe tudo que tá sobrando, e se quem estiver sobrando for eu, me carregue.

Blog do Jornal Ori
jornalori.wordpress.com

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Métodos para enfiar o cara no esquema

REUNIÃO DE PAIS
Eu não queria, não queria mesmo ter que ir na reunião, mas dada as circunstâncias, precisando falar com a teacher de Guy, fui.
Eu não tava entendendo porque se chama reunião de pais se só vão as mães. Que machismo!
Fui com uma colga de trabalho cujo filho estuda com Guy. Tínhamos uma coisa pra fofocar que não poderíamos fofocar no trabalho.
Então, antes de começar a reunião aproveitamos para fofocar, mas a história ficou incompleta pois a diretora pediu silêncio. (Será que ela acha que ta falando com os aluninhos?)
Entramos cada 'pai' na sala de seu filho e botaram agente pra sentar nas cadeirinhas dos pirralhos. Tudo bem, sou atleta, tirei de letra. Mas eis que a teacher decide fazer uma dinâmica de grupo.
Ai, não acredito, eu com tanta coisa pra fazer, trabalho atrasado, ela quer fazer dinâmica de grupo.Bem, que remédio né?
Distribuiu balões e pediu pra gente encher. Não vou entrar em detalhes sobre a dinâmica mas o fim inevitável dela era todo mundo pulando atrás dos balões, um mico total.
Gente, como as mães são chatas, a reunião toda hora interrompia pra uma falar meu filho faz assim, e a outra, meu filho faz assado, e prolonga a história, e eu toda hora interrompendo pra poder voltar ao assunto.
No final a teacher distribuiu uma pasta com todas as pinturas, colagens e atividades feitas pelos pirralhos, só eu que não recebi pois Guy não havia feito nada.
Escondi o nó na garganta, engoli o chôro e fui embora.
Mas na verdade o que eu devia ter feito era reclamado com a professora, pois se Guy não faz ainda, dever dela pegar a maozinha dele e fazer ele fazer. Vou lá hoje falar isso pra ela, depois de ter desatado aquele nó e chorado o chôro.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

A rotina nova de Guy

Acorda cedo (mais ou menos), faz o jejum, toma seu café
Fica brincando um pouco sozinho, outro pouco comigo
na verdade quando estou brincando com ele,
tentando acreditar que ele está brincando comigo
me parece mesmo é que ele quer ficar em paz, na viagem dele
Guy é muito observador,
Imagine que, por exemplo, sempre que vamos nas pedras do forte ver o pôr do sol no Rio de Contas
Guy senta numa costumeira poltroninha natural nas rochas
voltado para o mar
e fica o tempo todo parado, observando o movimento das águas, os urubus, os barcos
Se agente fica lá uma hora,
é uma hora sentadinho, observando.
No rio lá de algodões a mesma coisa
Eu fico sem saber o que fazer pois os médicos convencionais
dizem que eu não posso deixar ele sozinho nem um minuto
Recomenda-se uma série de terapias, caríssimas todas
O pessoal do espiritual, ao contrário, diz que eu tenho que deixá-lo em paz
provocar a atenção dele de vez em quando
terapia é só pra jogar dinheiro fora pois Guy vai falar sim, na hora certa,
Sem saber a fórmula certa
Eu fico no meio do caminho entre os dois
e brinco um pouco com Guy,
depois deixo um pouco sozinho
atualmente tenho insistido no desenhar
ainda com os gizes de cêra que a Dinda deu
eu pego sua mãozinha, encaixo o giz, e deslizo sobre o papel
Considero uma evolução quando ele já continua, ainda que por alguns instantes,
rabiscando depois que o solto
pois pra chegar aqui demoramos uns quatro meses desde a primeira tentativa
com os mesmos gizes
Terapia não está fazendo nenhuma

ele continua com algum tique, como a mãozinha balançando
continua com alguma obsessão, como por cordinhas e fios


Enfim, rabiscado o chão, estamos todos sujos e vamos pro banho
Eu pego as mãos dele, esfrego uma na outra,
depois faço elas lavaram o corpo,
explicando tudo o que está acontecendo
considero uma evolução pequena também pois
agora começou a esfregar as mãos sozinho,
e alisar a barriga
Seca, troca, almoço
Guy vai sozinho no rango
sem camisa, é claro
a van da escola chega 13:00, ele vai atrás, sempre no colo de alguma menina maior,
pois elas todas disputam a tutela de Guy no trajeto
Quando a porta abre elas gritam todas "Guuuuyyyyy"
As vezes eu dou a sandália e a camiseta pra elas vestirem no caminho...umas fofas...eu atrasada
Eu não vejo, mas sei que ele geralmente chega dormindo na escola
Dorme até as 14:00
depois acorda pra fazer as atividades da rotina da escola
Chega 18:00
Sai dar um rolé de bike com Breno, comigo, ou com os dois
Janta, brinca mais um pouco, sozinho e com agente
Costuma dormir tarde, 23:00, ou mais
mesmo eu trazendo pra cima as 21:00
dorme a noite toda, não se cobre de jeito manêra
Dorme ainda por um bom pedaço da manhã

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Soneto da Tempestade

Cheguei em Casa,
depois de 15 dias
O alface ainda na geladeira
derretido como uma geleira

As plantas
o Jardim
tudo morto
na falta de mim

Não chão, encardido
o menino descalço corria
No fuzuê da mesa
nada se achava, de tudo sei via

O 'di cume' mesmo
tá lá no mercado
Se der fome no meio da noite
vai madrugar

(Fui fazer o café,
nem açucar não tinha)

Mas o pior, é a cara de cú
é ter que lamber neste limbo
ter que agradar, ter que mimar

O vento ranca com força
o pé pela raiz
Vou salvar a Jaca

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Mais uma intermitência de Couro Lobo

Eu precisava era de Couro
Outro dia veio visitar-nos com seu pequeno Ariel, tão lobo quanto o pai
Couro senta no chão, nunca no sofá
E ele disse assim:
Cuma exemplo, você já viu a banana verde tá doce?
Já viu Jenipapo cair verde?
intão,
A fruta só da no tempo
e só no tempo

(traduzindo)
Guy vai falar na hora dele, ele ainda tá verde, mais vai amadurecer

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Escola nova e velhos amigos

Guy está indo pra escola, de condução
imagina, aquele fofinho mau humorado num puleirinho cheio de guris.
Na escola adora a pró Dani.
A escola é a cara dele, toda arborizada, área verde, ampla, ele gosta sim
outro dia ele chorou e eu quis pegar ele dos braços da pró,
imagina o micão né, ela não deixou e mandou eu vasar....rssrsrr
ele já senta na roda, fica prestando atenção nas histórinhas, adora as musicas....
são quinze alunos, uma galera
alguns ele já conhece, são de seu convívio
principalmente o Uil, filho da minha brother Say
O Uil sente um mix de amor e medo de Guy...rsrsrs
Outro dia ela dormiu em casa, e precisava ver a alegria de Guy
Uil dormiu mais cedo, e Guy ficava se embolando nele feito uma sucuri com comida no bucho
depois olhava pro Uil e sorria, olhava pro Uil e sorria....é o maior brother dele

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Sem chance

ainda sem internet....

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Quedi mamãe?

Cheguei em Salvador depois de quinze dias sem ver Guy. Quando abriu a porta, no colo do pai, Guy fez cara de medo, chorou e se enrolou no pescoço de Breno. Não quis vir com a mamãe. Parecia estar dizendo "Pô, num vem não sua bruxa,me deixou aqui e sumiu".
Tentei mais um pouquinho sua atenção com musiquinhas e tal, mas mal acabava a musica, ele corria de mim. Até que deitei na cama. Ele veio se chegando, se chegando, subiu na cama,e começou a se enrolar em mim como uma sucuri com um bezerro no bucho.
Ficou um tempão assim fazendo carinho em mim....
que gostoso!!!
Guy está muito bem, respondendo bem ao primeiro mês de terapia intensiva (desculpe o trocadilho), mais ligado.
Descobri que na escola ele como bananas em rodelas, vejam só. E mais, guarda os brinquedos....olha que kanalhinha!!!
***
A, notícia boa,
depois de ter amargado umas semanas de peso na consciência por ter recusado um hambúrguer do Mac pra Guy (levei ele no cinema, ao lada havia um Mc Donald's. Eu tinha comprado pipocas que ele adora, mas ele nem ligou,avançou no hambúrguer de duas pessoas. Eu saí arrastando ele envergonhada e não dei)
Enfim, de volta a 'babí', levei Guy pra almoçar no Mac. Eu pedi um Iogurte com frutas (delícia), e pra ele um Mc Lanche Feliz. Na primeira mastigada, Guy cuspiu tudo com cara de nojo, nem a batata não quis. Atacou meu Iogurte. E eu fiquei de comer o fedorentão.
Aí Guy, representou hein!!!! Parabéns pelo bom gôsto meu filho.

***
Sabadão curti um Jazz no Solar do Unhão. Musica boníssima a beira da Baía de Todos os Santos. Guy também adorou  (fora querer se jogar no mar).
Ai foi ótimo...existe vida na cultura de Salvador.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Vou te contar uma história: Era uma vez...Salvador

Eu num tava lá, mas dizem que Guy aprendeu a nadar segurando este espagueti aí, e que se divertiu muito e também aproveitou pra dormir muito.
To com muita saudade, mas lutando aqui pra preparar seu retorno.
Salvador, não dá pé. 
Não vou curar meu filho num lugar onde as pessoas tradicionalmente adoecem. 
Aos poucos vou descobrindo que aqui tem tudo o que ele precisa.
Vou te contar uma história: Era uma vez...Salvador











Dia dos pais na casa do vovo em PF

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Quêdi bichinho?

Acordei cedo e fiquei longos segundos procurando minha cria.
Cadê Guy meudeusdocéu? Se ele não tá aqui, ta aonde?
Estranho, vazio, triste, saudade

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Quero idéias

Levei a resso pra T.O. da equo ver.
Marília explicou que sim, é na área de Brocah, e que pelo que ela estava acostumada a ver, era uma lesão muito pequena.
Disso eu sei, por isso Guy, 'só' não fala. Se fosse maior, estaria como as outras crianças que frequentam a equo.  Com disfunções muitissimos mais  graves que do meu pequeno.
Eu perguntei se essa lesão poderia levar Guy a um dificuldade no aprendizado - meu maior pânico. Porque Guy não aprende quase nada. Marília acha que é mais por causa da falta de atenção dele.

Sim, é isso. Parece que Guy não quer se comunicar. Não quer te ouvir, não quer te olhar. É como se por gôsto, ele não gostasse de companhias
Guy come com a mão direita e com a esquerda (mesmo com aquelas colheres tortinhas de comer com a direita)
Ele bebe água sozinho. Chega na escola e bate na porta com o punho cerrado, tipo 'tem alguem aí?'.
É pouco? É pouquíssimo, mas quer dizer que ele tem capacidade de aprender.
Então a palavra mágica é 'atenção'. Temos que descobrir como puxar a atenção dele. Os espaços vazios -  ou seja, quando não tem ninguém interagindo com ele - é como se fosse (vamos dizer numa linguagem religiosa) é como se deixasse o demônio entrar e se instalar.
Uma das chaves que desencadeiam o ócio no Guy é a mão (acho que mais a direita) pois ele tem um flapping, um movimento repetitivo -a exemplo dos sintomáticos e casos de autismo - balançado a mão para cima e para baixo. Ele fixa os olhos neste movimento e não quer dar atenção a mais nada. Isso quando ele não encontra algum objeto para protagonizar este evento, na maioria dos casos, alguma coisa com cordinha, fio, penduricalho. Pedras e brinquedos de pecinhas também ajudam a mergulhar no ócio, assim como a água.
Nós - pai, mãe, tios, faxineira, professora etc...nos empenhamos em sumir com todos esses brinquedos ou objetos 'autísticos'. Tratamento de adictos. Ao mesmo tempo que tentamos chamar a atenção dele pra outras coisas. E a pergunta que se segue é: como?
Quando tiramos tudo, ele teima em voltar pra mão.
Está sendo difícil chamar atenção de Guy. Estou tentando pensar em algumas táticas, e gostaria que pudessem me dar idéias:
1a - engessar a mão dele por alguns dias (sério)
2a - um filhotinho de cachorro pra ficar enchendo o saco dele
3a - escola em tempo integral
4a- adotar uma criança
5a- produzir uma criança (isso, um irmão)

***
Ontem cheguei na escola pra buscar Guy, estava meia hora atrasada. Só estava Guy e Mamá, uma negra liiiiinda, deitados no colchãozinho. Guy estava no maior rala e rola com Mamá, se enroscando nela. Ela, só de sainha, adoraaaaaaaaando.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Minhas parentas queridas

Ontem, era quase meia noite, estava assistindo a um filme de Stanley Kubrik, o telefone tocou. Guy já estava dormindo, a compressa de argila tentando curá-lo e sujando o lençóis. Olhei no telefone, quem ligava era de um numero grande, esquisito. Quase que não atendo, pois não queria acordar o Guy. Uma preguiiiiiiça....
Atendi.
Do outro lado, a voz masculinizada inconfundível de minha irmã de ventos Mafer.
Eu disse, nossa que lonjura...
E foi assim, com um telefonema, que Mafer restabeleceu comigo um contato que estava tão exíguo. Explica-se pois minha amiga mora lá pros lados da Colômbia, fica mais na floresta do que na selva (entendeu?) e muito incomunicável.
É que eu mandei uma mensagem pra ela, as vésperas de ela embarcar para uma viagem de cerca de dois meses. Na mensagem, pedi pra ela encontrar um xamã, pra eu poder visitar, e buscar alguma cura para Guy (E para mim também. O meu Mestre Lucas aprendiz de bruxo disse que se eu quisesse curar Guy, teria que curar a mim primeiro).
Esperava uma mensagem no face, e eis que ela me liga, de lá de Letícia.

parêntesis pra evidenciar a importância que os amigos tem em nossas vidas

Ela, e algumas daquelas que foram minhas companheiras de aventuras e baladas, e alegrais e risadas, continuam fieis escudeiras.
A vida anda, agente deixa de ser adolescente, e quando a vida começa a bater na gente, ficam aquelas que são parentes mesmo.
Pois é o que dizem né, amigos são os parentes que escolhemos.
E eu, que achava que já tinha apanhado muito da vida, descobri que foi tudo um leve afago, perto da peia que to tomando agora.
Mafer veio somar forças com a dinda, Bocão, Evelin, como queiram....que está comigo em pensamento e coração, tentando me acalmar e me fazer olhar o copo meio cheio. Assim também me presta seu serviço minha caríssima cunhada, de quem o filho sou a dinda eu.
Pois, joguei no peito de Mafer, a missão de me levar a um xamã. A viagem para qual está partindo vai percorrer um povo super-xamanico (no dizer dela). Ela parte hoje e me ligou ontem pra me dizer que estaremos em seu pensamento durante toda a viagem. Me ouviu desabafando, mandou eu chorar mesmo e deixar a dor doer. E disse pra eu ir me preparando pra ir visitar a sua casa. Preparada já estou, só preciso me organizar pra levar Guy.
Obrigada Mafer, por ser minha também. E por encarar com bravura a missão que lhe confiei.
Obrigada Bocão, por ser minha também.
Obrigada Lu, por ser minha também.
(enquanto pensava neste post, recebi uma calorosa mensagem da Su, tão tão distante, que nem sabe da missa metade, mas fez-me feliz por saber que é minha também)
Obrigada Su, por ser minha também.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Jaqueline Kenedy sou eu

Dia desses acordei no meio da noite com uma imagem na cabeça
Era aquela cena antológica de JFK levando um tiro nos miolos, e Jak debruçando sobre o capô do carro na tentativa de resgatar os tais miolos.
Quem pode racionalizar a ação instintiva dela. Estava ali, tentando resgatar seu marido, seus ideais, sua história e seu futuro. Naqueles miolos estilhaçados, estavam ideias e projetos que poderiam ter dado melhores rumos ao planeta. Jak amava aquele homem e tudo o que ele significava.
Mas claro que ninguém ia colar os cacos de massa encefálica e JFK voltaria a vida normal. Aquilo foi puro impulso, puro instinto.
Aquela imagem ficou na minha cabeça por todo o dia. E fui dormir sem entender porque aquele recording me acordou no meio da noite.
É um mistério os caminhos que o cerebro usa para se comunicar comigo. Mas hoje é exatamente assim que me sinto. Cada vez que tento estimular Guy, chamá-lo pra brincadeiras, tirá-lo de seus momentos contemplativos-autisticos e deixando muito dinheiro na conta dos terapeutas.
Sinto que estou remendando o cerebro de Guy, resgatando ideias e sonhos, conhecimentos e experiencias que ele ainda não viveu.
Guy tem uma 'chave geral' que não pode ser desligada, sob pena do sistema entrar em colapso total.
A estimulação tem que ser máxima e contínua.
E eu sou a Jaqueline Kenedy da vez, debruçada no capô, juntando fragmentos de um livro em branco pra que possa ser escrito.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Doenças e terapias pra ricos

Ontem Guy começou namusicoterapia.
Enfim uma atividade que nos anima instantaneamente.
Leonardo, o gordinho de barbicha, além de musicoterapeuta é psicólogo, e parece entender do que está fazendo.
Pareceu entender o caso do Guy com clareza e até atende alguns casos como o dele.
Breno em particular ficou muito empolgado com a relação de Guy e Leonardo. Na primeira, ele conseguiu atrair a atenção do Guy, coisa que nenhum terapeuta conseguiu.
A musicoterapia é que nem remédio de planta, é bom pra tudo. Quem não se sente bem ouvindo uma boa música? Leonardo explicou que a lesão do Guy é localizada, e a musicoterapia é universal (pensando no cerebro neh). Ela mexe com inúmeras áreas do cérebro, hemisfério esquerdo e direito, e que as partes que funcionam bem, serão impulsionadas a fazer o trabalho da parte que funciona mal. Confesso que maior do que a fala, minha preocupação é em relação a intelectualidade de Guy. Se ele será capaz de atribuir signos, se será capaz de aprender, e de se expressar, seja lá como for. Pesquisando na net, li que é altamente recomendada para casos de autismo, lesão no cerebro e dificuldade na fala em crianças. Enfim, acreditamos na musicoterapia acima de tudo.
O problema é a facada. Eu que tava achando caro as sessões de cavalinho, 70 paus cada, duas vezes por semana, o gordinho pegou no âmago. 140 pau e recomendou duas por semana. Ou seja, mais de mil reais por mês. Começamos, sem saber como faremos pra pagar. Breno fala em diminuir uma sessão de equo. Embora não resolva nosso problema $.
(Estamos realmente em dúvida. A equoterapia seria mesmo pontual pro caso de Guy?)
Enfiim, acho um absurdo deixar de fazer qualquer coisa de terapia que possa ajudar Guy por causa de dinheiro, então vou marcando tudo. Mas na hora H, como? Sem o qualquer?

terça-feira, 26 de julho de 2011

concha plage




Métodos pra enfiar o cara no 'esquema'

Não existe coisa mais eficaz pra enfiar papais alternativos dentro do esquema da 'sociedade', do que a escolinha.
Primeiro que a escolinha do Guy, no caso, teve que ser na capital, o que arrastou dois jipes véios e maltratados para o asfalto lisinho e cheio de falta de buracos.
(o engraçado é que a diretora da escola tem uns dentões de ouro.....srsrsr)
Depois vem a tal da lista de material. Lá vai nós pras lojas Americanas. No xópim!
Lancheirinha do Carros 2 eu me recusei. Pomba (leia-se porra!!! - com exclamação), 80 pila numa lancheira. De jeito maneira! Comprei uma quentinha em forma de pintinho e pronto, vai dentro da mochila - que também não é de super-herói.
Queria achar uma mini-térmica, mas não há. Então comprei uma garrafinha com rosca e tampa de copinho.

UNIFORME (que aqui chama farda...ai que palavra sugestiva) - tá, tá, vá lá, que num gasta a roupa de passear. Mas pomba, 130 pila por duas bermudas e duas regatas? (o uniforme aqui na bahia é regata)

LANCHE, todo dia. Pensar numa coisa. Tem que ser saudável, gostoso, fazer o suco de fruta, um dia bolo, outro dia banana, outro dia sanduíche, outro dia....iogurte....outro dia.....hummmm....

REUNIÃO INDIVIDUAL. Bem. O lado bom é que é individual. Vai ser bom pra explicar o caso de Guy e orientar a pró (fessora). O lado ruim é que deve haver, num futuro próximo, a reunião coletiva....ai! Será que eu consigo encarar? Não vou não vou e não vou.

CONVITE DE ANIVERSÁRIO. Tudo bem também. Agora, um por semana!!! Que POMBA...eh essa, se eu comprar presente pra todo mundo num sobra pros presentes do Guy.
O que? Tem que mandar? Affff
Vamos combinar assim, a cada aniversário agente faz um deposito num cofrinho próprio,em vez de dar presente, daí quando for aniversário do seu filho, você quebra o cofrinho e compra um monte de presentes legais. Ah? Prefere ficar ganhando as porcarias que os outros pais compram?...Putz, tá bom. Vou logo avisando que vou comprar no 1,99.

Nossa, acaba de me ocorrer uma coisa. Pior do que ter tantos aniversarios. Isso quer dizer que quando for aniversário do Guy......a meu Pai! que  saco!
Tem que fazer duas festas? Ah, uma em casa outra na escola, sei.
Não, já sei, vou dizer que Guy faz aniversário no Natal.
Ah, num dá? tá lá no registro dele, sei.
Resumindo gente, não tem jeito, fui socada dentro de uma caixa quadrada com tampa e agora to quadrada também.
Com certeza não pára por aqui....

sábado, 23 de julho de 2011

Mamãe subiu no telhado

Bem, agora é a minha vez.
Eu e Breno estamos nos aprofundando mais no estudo do caso do Guy.
Descobrimos a palavra AFASIA e fomos esmiuçar tudo o que ela nos traz.
Nestes estudos, estamos descobrindo que o caso de Guy é muito mais grave do que imaginávamos. E isso está levando a mim, desta vez, a cair na fossa. Medo, insegurança, culpa são algumas das palavras que explicam minha profunda tristeza.
Breno por sua vez, acompanhando as explicações dos terapeutas, está entendendo melhor seu papel no desenvolvimento de Guy e reage com sua habitual força de vontade, insistência e otimismo.
E está tentando levantar a mim da depressão.
Eu to no remédio pra dormir, por mim, tomaria o remédio cada vez que acordasse.
Mas tem o sorriso do Guy que preenche meus buracos negros.
E tem Breno, que pode ter um monte de defeitos, mas sempre foi muito responsável com as coisas de Guy, e muito caxias com as orientações médicas.
O que faltava pra ele, quando escrevi o post anterior,era ouvir dos médicos o que eu tinha ouvido. Agora ele ouviu, entendeu, e está novamente em seu papel de super pai.
E Super marido, pra tentar curar a mim também.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Papai - inércia crônica

Estou aqui na escola do Guy. Ele está lá dentro brincando e eu, aqui fora, pronta pra socorrer, e também pensando em todas as questões que rodeiam seus desenvolvimento.
Vejo cada vez mais que o atraso do Guy é muito grande, além da fala. Guy praticamente não se comunica com o mundo, não entende o que falamos, só quer brincar sozinho, e não parece querer dizer alguma coisa, seja lá qual for a linguagem. Lendo artigos sobre o caso, um detalhe ma chamou atenção, dentre inúmeras causas, a prostação de quem convive com ele pode ajudar e muito, a não falar.
Estou prestes a deixar Guy aqui em Salvador com seu pai, sem mim por alguns dias, e isso repetidamente. Ou seja, Breno estará mais presenta na vida de Guy do que eu pelos próximos 5 meses. Mas a postura dele está me fazendo repensar a decisão. Breno está totalmente prostado. Claramente depressivo e com baixíssima alto-estima. Além de parecer não ter entendido o grau do problema do Guy, não entendeu que seu papel na convivência com ele é fundamental. Quando se propõe a brincar com Guy, não faz mais do que ficar sentado do lado dele, olhando pro nada, sem perceber que Guy está mergulhado em brincadeiras autisticas. Eu falo de cá, conversa com ele Breno. Então ele acorda, Fala duas ou três palavras, e mergulha novamente em, seu silêncio.
A verdade é que estou acordando para a real situação de Breno e me parece que ele também está precisando de cuidados.
O retrato de Breno hoje é um adolescente, que não quer ouvir bronca, quando está em casa quer ficar 'descansando', e não sabe o que vai fazer da vida. Só que ele não é um adolescente, é um adulto de 31 anos, com filho e obrigações, e é cobrado constantemente por isso. Quanto mais cobrado, mais drama faz, mais se vitimiza, mais se afunda em sua prostação.
Breno está tão preocupado com nosso relacionamento quanto eu estou preocupada com Guy. E como estou full time preocupada com Guy, não estou dando a mínima para nosso relacionamento. Quanto mais eu explico pra ele que temos que nos concentrar no Guy, "mais drama faz, mais se vitimiza, mais se afunda em sua prostação".
A postura que ele está tomando não ajudará Guy, e não ajudará a melhorar nosso relacionamento.
Quanto mais ele se mostrar inócuo, mais vou ter que repensar sua posição nos planos com Guy. Não sei o que fazer, estou meio assustada com as descobertas, com a inércia de Breno que se mostra crônica. Não poderei confiar a ele o desenvolvimento do menino, tampouco posso separar os dois. Breno precisa urgetemente se levantar e acordar para a vida.

sábado, 16 de julho de 2011

Gabi, Você é demais

Querido Gabi
Escrevo para te deixar tranquilo em relação a Guy. Ele começou na escola esta semana e foi tudo bem. Não chorou e nem reclamou. Fica a manhã toda com a tia Karina e brincando com os brinquedinhos. Tem um parquinho de areia e um escorrega.Como você já tinha ensinado ele a escorregar (lembra, lá no Parque Chico Mendes) ele lembrou e escorregou.
Nâo se preocupe quanto a merenda, pois a lancheira está voltando vazia. Ele come tudo sozinho, sem precisar de ajuda. Eu mando bolo, panetone, sanduíche, iogurte...ele acaba com tudo. Játá de uniforme e mochilinha. Segunda feira tem a primeira festinha de aniversário que ele vai ver na escola.
Obrigada por ter cuidado do Guy com tanto carinho


Um bejão da gente e logo estamos aí de novo.


sexta-feira, 15 de julho de 2011

Aconteceu em Sorocaba


Esse texto caracteriza-se melhor no Meu ser Caótico, mas está enredado na história do Guy, por isso deve ficar aqui.
A capoeira é um dos raros lugares que freqüento atualmente onde eu fico mais próxima de mim. Numa certa quinta-feira, fiz uma aula que acabou comigo. O mestre era meu Mestre Lucas, mais mestre do que nunca.
Ele foi me cansado, me cansando, quebrando minha guarda, marcando golpes fatais. Eu saí andando meio torta.
Eu queria sugerir que ele encontrasse um tratamento na acupuntura para ajudar Guy a soltar o verbo. Ele sugeriu que eu me curasse.
 Me fez ver o peso que tem cinco gramas e num passe de mágica, eu enxerguei o cenário por cima.
Entendi de verdade que a raiz da solução está em mim, no meu equilíbrio, na minha sinceridade e na minha calma, no altruísmo. Na fé principalmente.
Aquele aspirante a bruxo soltou uma meia lua no meu queixo e se saiu. Doeu, mas foi bom. Como na roda de capoeira, na vida agente aprende apanhando mesmo.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Saga de Guy - Cap 8

Empatou?
Antes de partir de Sorocaba, fomos levar a RN pra Paula Preto. Observou que há uma lesão do lado direito e do lado esquerdo do cérebro, sendo a do lado esquerdo maior (alguma semelhança com o diagnóstico do terapeuta das energias) e que sim, este quadro seria responsável por algum grau de autismo se houver, e que sim, que este quadro e o senhor responsável absoluto por seu atraso na fala (ao contrário da explicação  da Tati). O local onde está a pequena hemorragia é responsável, entre outras coisas, pela linguagem. As outras coisas são todas referentes a intelectualidade, ou seja, aprendizado. Paula e Tatiana concordam num ponto: o remédio. Fono, T.O. e equoterapia, escola normal, seja lá qual for o diagnóstico.
Ele vai falar? Pode ser que sim, pode ser que não, tem até os seis anos pra desenvolver a linguagem. Vai depender das terapias e de Deus. Ok, façamos as terapias e vamos também procurar Deus, ver quanto ele cobra, e começar.
***
Ele é autista? Não sei, quem sabe? Ninguém sabe, só o tempo dirá.
Temos que procurar uma opinião pra desempatar? Pode ser.  Pode ser também um caminho inócuo, pois de qualquer forma o tratamento é o mesmo. A Tatiana nos indicou uma neuropediatra em Salvador, que foi indica pelo seu professor lá do HC de SP. Nayara é o nome da fera, não sabia o sobrenome, mas não deve ser difícil achar pois neuropediatra é uma espécime em extinção. Breno conseguiu encontrar e ligou lá. Mais do que em extinção, sua pele é valiosa. Não aceita convênio algum, sua consulta custa 700 pila e só tem pra novembro.  O vovô falou que ele tem que ter sim um neuro orquestrando todo seu tratamento.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Vida nova ao Rei

A Escola
Primeiro dia de aula de Guy. Não, péra, não deve começar assim.
O começo deve ser da seguinte maneira:
Fui fazer a matrícula de Guy . Enquanto sentava diante da diretora, Breno levou Guy para conhecer sua possível futura sala de brincar. Denise, que é a cara da Regina Duarte, explicava pra mim sobre o período de adaptação. Que nos primeiros dias a mãe ou o pai tem que ficar na escola e tal, daqui a pouco Breno voltou sem Guy. Cadê ele? Perguntamos. Ficou lá, respondeu.
***
A pequena escola fica pertinho de casa, mais fácil a pé que de carro. Agradou por ser pequena, mais pessoal.
***
Um fenômeno
No dia seguinte, agora sim, o primeiro dia de aula de Guy, levei o menino pela mão até a sala de brincar, de uniforme, mochilinha e tudo. Entrou sem olhar pra trás, observei um pouco, depois fui ali ficar de fora.
Eu fiquei lá no banco do parquinho, esperando ouvir a mãnha de Guy me procurando, e nada aocnteceu. Fiquei olhando pra cima, olhando pro nada, desejando uma revista, um livro, uma bula, qualquer coisa pra ler. Curiosa pra espiar o guri. Nada acontecia. Pensei no meu  netbook. Quando fui avisar que iria buscar em casa, a pró Karina (em São Paulo seria tia Karina) veio com um papelzinho. Anota aqui seu telefone, se precisar eu te ligo. Olhei assim meio sem querer entender. Ele ta tranqüilo, se precisar te ligo.Tá bom então. Fui pra casa e ninguém nunca mais me ligou.
***
Hoje, o segundo dia, Guy entrou garrado na minha mão. Daí viu a Maria dentro da casinha de bonecas. Entrou atrás da Maria sem lembrar que tinha mãe. E eu parti.

Macio, meu amigo

Ontem foi um dia de grandes estréias. Além da escola, a expectativa era grande para a equoterapia. Fomos de buzú até o Parque de Exposições. La dentro, andamos muito até chegar a sede da Polícia Montada. Em território inimigo (brincadeirinha)  funciona, num esquema de parceria, a Associação Baiana de Equoterapia.
A Abae é uma instituição sem fins lucrativos, que atende pessoas com necessidades especiais ajudando-as a conquistar sua independência.
Equoterapia, um procedimento geralmente caro,  oferecida gratuitamente em Salvador. A demanda é grande, para iniciar uma sessão, é preciso enfrentar uma fila de espera de 300 pessoas, o que pode levar alguns meses, nos quais você fica torcendo pra alguém desistir, ou pra faltar três vezes sem justificativa e poder ser substituído por uma pessoa mais interessada.  Para ajudar nas despesas, quatro turnos foram reservados para atendimento particular – pago. Guy está num desses.
(Engraçado que havia uma equoterapia em Vila do Atlântico, se chamava Jaguar e, dizem, é num lugar de beleza exuberante. Mas fechou por falta de demanda.)
Marília veio nos atender. Adorei este nome. É a Terapeuta Ocupacional. Magra como um pau e de cabelos vermelhos  como o pôr do sol. Marília fez a avaliação e logo chamou Guy pra o cavalo.
Junto com ela tem dois assistentes, que, desculpe a falha, não me lembro os nomes. Um jovem e um coroa parecido com o Morgam Freemam.  Todos três esbanjando uma energia tranqüila e positiva. Marília apresentou Guy a Macio, um cavalo baixinho. Guy foi montado em Macio e, quando esboçou reclamar, Macio começou a andar. Com um leve sorriso, Guy esqueceu de dar bronca e fez uma viagem muito prazerosa em torno do campo de equitação. Nós ficamos de longe, só olhando, morrendo de orgulho de nosso pequeno cavaleiro. Agente via Guy agarrando o jovem, sorrindo pro coroa, tentando entender oque dizia Marília. Foi uma interação total. Guy adorou o lugar, tem muitos brinquedos, tem uma rampa que ele gosta de subir e depois descer na banguela. Macio foi gentil, parece ser bem maduro o cavalinho.
Saímos de lá felizes e contentes. Guy veio pra casa, brincou de massinha e dormiu cedo.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Saga de Guy - Cap 7

Guiando um 7A
Bem, conforme orientação médica, Guy começou prontamente na Fonoaudióloga. A tia Pida é paga pra brincar com Guy. Tentar extrair dele mais informações e certa amizade. Bem, ela disse que de vez em quando é bom deixar Guy com alguém – sem a mãe. Disse que Guy não tem traços claros de autismo – ela lida com autistas de todos os graus. Disse que não podemos mais o deixar brincar sozinho, temos que tentar fazer qualquer brincadeira que ele queira, a dois. Disse pra comprar giz de cera, boneco pra comparar as partes físicas, brinquedo de montar e encaixar. Estamos fazendo tudo isso. 
Uma coisa que todas elas perguntam é se Guy já come sozinho. Não, não come. Mas não come porque nunca tentei ensinar ele a comer. Daí me acendeu – mais uma vez – a luzinha da culpa. Eu nunca tive muito jeito com criança. E continuo não tendo. Não sei brincar nem estimular. Muita coisa além do garfo e colher eu não tentei ensinar. Eis que fui dar a colher na mão dele. No primeiro dia ele já aprendeu a levar a colher na boca – claro, com ajuda pra não errar o alvo. Ao fim de uma semana, já ia buscar ele mesmo a comida no pratinho. E vendo que a colher não estava suficientemente cheia, labutava pra tentar equilibrar o máximo de comida possível pra não perder a viagem. 
Além disso, senti muita evolução no pimpolho neste último mês – em que ele voltou a civilização. Ele está mais receptivo para os adultos, ficou até no colo da tia Nanda, e também do Kilo....adora o Kilão – disseram as línguas afiadas que é porque ele se sentiu mais em casa.  Não sei, pra ele o Kilo é o máximo da diversão. 
O vovô foi o grande contemplado. Guy vai lá ao quarto, pega o vovô pela mão e o leva pra sala num claro convite pra brincar. Não quer deixar o vovô dormir e fica todo faceiro na frente dele. Pida disse que este não é um comportamento de autista. Outra coisa é perceber a bronca, ficar de castigo, se chatear e tentar agradar quando brigo. Tudo isso são migalhas que juntamos para crer que ele está acima de qualquer desconfiança clínica.
A próxima lição da tia Pida é o banho. Mostrar o pé, a mão, comparar com a minha. Ir guiando lentamente esta via 7ªA  neste paredão rochoso em positivo que está sendo o aprendizado de Guy.



Tecla SAP: 7ª A é um grau de dificuldade para vias de escalada (alpinismo). Guiar um sétimo grau é difícil pra mim, escaladora amadora, mas não impossível.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Saga de Guy - Cap 6

Morde e Assopra
Quando voltamos pra Tatiana com o laudo da RN, ela disse que estava tudo normal, Guy não tinha nada no cérebro que pudesse explicar seu déficit de aprendizagem.  O que, tecnicamente, não exclui o autismo pois, autismo não dá em exame. Mas de qualquer forma, (assim como disse a Paula), um diagnóstico de autismo não se fecha antes dos quatro anos de idade. Disse que Guy só precisava mesmo era de estímulo, que era de suma importância a escola e as terapias, principalmente a equo, e que assim ele recuperará seu déficit e será um menino normal.
Essa gente quando bate, alisa depois, e quando alisa, depois bate, agente fica que nem barata tonta. No telefone, procurando uma colega neuropediatra em salvador ela disse: é pra um menino autista que quero mandar pra ele. Guenta coração!

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Saga de Guy - Cap 5

(parêntesis pra explicar a morte do ancião)
Quer dizer, já não era sem tempo de mudança, eu sabia que iria mudar tudo cedo ou tarde. Mas como todos sabem, cedo ou tarde nunca é agora. Deixa ver se me explico.
É como um ancião querido da família na iminência de morrer, não por doença, mas por ser ancião. Você sabe que ele não vai durar muito, mas não pensa que pode ser já. Então você vai viajar e, no meio do passeio, recebe a notícia de seu falecimento. Embora conformada, dói não poder vê-lo mais, não poder ter despedido, não poder estar do lado dele em seu leito de morte. Não ter dado o último abraço. Dói.
E a dor de sua morte vai doer pra sempre, ele não vai voltar mais. Aqui está encerrado um grande ciclo ao lado de Breno. Sei disso pois agora vou ressurgindo para mim mesma, e ao final deste processo, não haverá mais espaço pra maridinho em casa, controlando até a posição que devo dormir, fazendo almoço, lavando a louça e tirando a sesta. Não que tenha sido ruim, que tempo maravilhoso foi esse, mas não nasci pra isso. Não nasci para morrer em vida eterna. Acho o casamento tradicional uma coisa retrógrada, atrasada, careta. Entenda, não é de Breno que abdico, amo aquele canalha, mas do casamento sim, com certeza e definitivamente. Doa a quem doer.
(fecha parêntesis)




Olha que gorduraaaaaaaaaa




domingo, 3 de julho de 2011

Saga de Guy - Cap 4

Reviravolta no caso
Devo confessar que a visita mais esperada do ano era pra Tatiana Freire, neuropediatra especializada em déficits de aprendizagem, a quem outorgam o título de bam-bam-bam em neuropediatria aqui em Zumpa.  Tatiana também estava na Alemanha concomitantemente a Paula, talvez também defendendo alguma tese.
Durante a consulta, Tati bateu um carimbo no meu dossiê. O carimbo era redondo, na parte cima, abaulada, estava a palavra REVIRAVOLTA, no centro dizia MUDANÇA DE PLANOS e, na parte de baixo, a côncava palavra VIDA NOVA.
Ela disse que Guy pode bem ter algum grau de autismo, ou bem um simples atraso no desenvolvimento, pois por suas atitudes, mais parece uma criança de um ano. Qualquer que seja o diagnóstico, ele precisa começar IMEDIATAMENTE, assim, bem frisado, a fazer Fonoterapia, Terapia Ocupacional e Equoterapia, a do cavalinho.
Neste momento meu cérebro experimentou um blecaute, desses que duram milésimos de segundos, e quando volta, volta totalmente reprogramado. Imediatamente entendi – e aceitei – que Guy não poderia mais voltar pra sua casinha. Onde moramos não tem nem escola direito, que dirá essas terapias todas e claro, eu irei buscar pra ele o que há de melhor em Fono, T.O. e Equo. O que há de melhor não poderá estar em São Jorge dos Ilhéus ou cidades circunvizinhas pois se fosse o melhor - raciocínio lógico - não estaria ali.
Ato contínuo, restava apenas decidir quem ia ficar com Guy, pois estamos, justamente neste momento, abrindo uma loja em casa. Não poderíamos abrir mão disso pois provavelmente o tratamento do Guy demandará muito dinheiro e alguém terá de trabalhar nesta família. Então, Breno ficará cuidando da loja, e eu fico com Guy em Soro tratando, estudando, vivendo enfim. Ou fico eu na loja e Guy vai pra Salva com Breno pra poder tratar, estudar, viver enfim. É claro, todos sabem quem trabalha nesta família, fica fácil saber qual decisão será um consenso entre nós.
Outra figura que muda é a questão do café. A cafeteria se dissolveu de meus planos com a mesma facilidade de um café solúvel na água quente. Ora, todos sabem que um comércio de alimentação te escraviza. Eu não posso me dar ao luxo de despender todo o meu tempo e energia num negócio e negligenciar minha presença ao lado de meu turutu. Preciso imediatamente alterar meu projeto e decidir por um empreendimento que me permita maior flexibilidade de horário.
Claro que tudo isso deverá passar por um período de adaptação, não sabemos como será a pegada da loja, nem como será a pegada das terapias e da escola. Além de que, desejamos que quem ficar com Guy na Babi possa também trabalhar, pois, afinal, ninguém quer ficar de papo pra cima, a não ser que as atividades com Guy impossibilitem MESMO qualquer outro ofício, o que não creio.
Isso tudo fixou-se em minha cabeça, tão logo meu cérebro voltou do blecaute instantâneo em frente a médica. Olha, me desculpe os mais sensíveis, eu sou muito prática. O que tem que ser feito tem que ser feito, sem choro nem vela. No máximo um post no blog pra curar a dor, um porre de vinho com a dinda. Ainda em frente a médica eu derrubei uma lágrima. Não por Guy, pois eu acredito absolutamente em seu desenvolvimento, não acredito em autismo, conheço meu filho, sei do que ele é capaz, e sei que ele É capaz. Mas sim por um ciclo de minha vida que se encerrava assim, sem avisar. Era a morte do ancião.





sexta-feira, 1 de julho de 2011

Saga de Guy - Cap 3

(parêntesis para falar sobre Ruben)
A dinda, muito inclinada a prestar apoio ao picolo, ofereceu levá-lo a Ruben, um terapeuta que ela está freqüentando, também em sua infindável busca pela cura. Era noite, tipo umas oito horas, Guy chegou dormindo, ainda bem. Ruben fez uma pequena entrevista e partiu para examiná-lo.  Examinar seu campo energético. Ele colocava a mão sobre a cabeça de Guy, sem tocá-la. Alguns minutos passaram, levantou a cabeça em minha direção. Seus olhos estavam vermelhos e molhados. Tocado pela notícia que me daria a seguir. Falou pausadamente. Entre uma frase e outra, pausa para tomar fôlego e para certificar-se do que falava, sentindo Guy mais um pouquinho.
Seu filho tem uma lesão no cérebro. Uma do lado direito, outra do lado esquerdo. Ele vai ter um retardo no crescimento.  Quando ele tiver dez anos, terá idade mental de cinco. A parte direita do cérebro está menos danificada. Isso significa que ele é uma pessoa que tem muita sensibilidade na natureza. Ele se sente bem na natureza, ele se comunica melhor com os elementos da natureza do que com as pessoas.
Eu estou tentando fazer a conexão do seu campo energético com seu campo físico, mas não estou conseguindo. Deixa tentar explicar, é como se nosso cérebro fosse feito de eletricidade. Em uma pessoa normal (não entendo esta palavra) é como se visse uma cidade de cima, com todas as lâmpadas acesas. Guy tem alguns pontos escuros, desligados. Nestes pontos não há conexão entre o campo energético e o campo físico. Eu estou tentando forçar uma ligação, mas não estou obtendo sucesso. Seria bom se você fizesse uma tomografia (já estava marcada) para verificar o tamanho desta lesão, mas de qualquer forma seu filho terá um retardo importante no crescimento. Nós podemos trabalhar Guy no campo energético para ajudá-lo, mas o tamanho da lesão vai nos dizer a extensão do sucesso da terapia. Ou seja, se a lesão for pequena, a coisa está mais no campo energético do que físico, e a terapia funcionaria bem. Se a lesão for grande, a terapia será limitada.
Imagina eu e a Bocão na frente dele, ouvindo tudo isso. As lágrimas rolando bochecha abaixo, minha comadre segurando firme em minha mão.
Rubem faz uma pausa maior em sua explicação, enquanto continua examinando Guy. A próxima palavra que ele diz é: que interessante! E continua examinando
De repente está tudo ligado! Preciso tomar uma água - disse Ruben e sentou-se. Ele puxou toda minha energia. Eu nunca vi isso. É como se as lâmpadas estivessem todas ligadas, a conexão perfeita entre energético e físico, eu nunca vi isso. Demoraria anos pra alcançarmos este resultado.
Totalmente leigas e ansiosas, eu e Revi debruçamos duas dúzias de perguntas pra poder entender, ao que ele sempre respondia Eu não sei. Nunca vi isso. Trabalho com isso há mais de dez anos, inclusive fazendo atendimento social com crianças, mas nunca vi isso. Se eu examinasse ele agora, diria que é um menino absolutamente normal.
Ruben estava desconcertado. Pediu pra que retornássemos quando tivéssemos em mãos o laudo da tomografia.
Guy do jeito que chegou dormindo, saiu dormindo. Eu e Revi, um misto de sentimentos contraditórios. Preocupadas com o ‘laudo’ inicial, e felizes com o resultado final, como se entre um sentimento e outro tivesse passado dez anos. Eu saí rindo e chorando ao mesmo tempo. O riso era de nervoso, e a lágrima, de alegria.
Fomos pra casa dela, conectar. Tomamos um vinho, desabafamos um pouco, rimos um pouco. Guy ficou ali, brincando sozinho com um terço indiano por quase duas horas.
(fecha parêntesis)



aqui meus primos paulistas




quinta-feira, 30 de junho de 2011

Saga de Guy - Cap 2

The Begin       
         Parecia que não, mas passou. E chegou o dia em que retomamos a casa. E também em que tomamos o avião. Em Soro, comecei imediatamente a visitar os médicos, todos.
A primeira que visitamos foi a neuropediatra Paula Preto. CDF com jeitinho de doida, acabara de voltar da Alemanha onde defendeu sua tese de doutorado.  Paula conhece Guy desde que nasceu, sabe todo seu histórico. Entrevistou, observou, pediu Ressonância e Eletro. No final da consulta disse que ele realmente parece autista.





Nossa jornada em Soro contaria ainda com inúmeras visitas a médicos. Neuro, endócrino, pediatra, outro neuro, gene, oftalmo, fono, outro fono, todos. Fui até em Ruben, um terapeuta de cura interior.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Saga de Guy - cap 1

 O leite grosso da ignorância
Enfim, aqui estou. Ou melhor, aqui estamos nós.
Foram longos meses de sentimento desamparado e insegurança, sem casa nem roupa lavada e enfim, posso ver o portão de saída. Este post deveria se chamar My new life.
O blog Meu pé de Jaca  foi criado inicialmente para registrar as venturas e desventuras desta pessoinha que chegou em minha vida há pouco mais de dois anos. De um tempo pra cá eu parei de escrever por vários motivos, já até falei sobre isso anteriormente. Eu tinha que falar de Guy, mas como fazer isso sem botar o dedo na ferida. Por algum tempo quis ignorar todos aqueles sinais, esse foi um dos motivos da ausência no jardim das jaqueiras.
Foi numa bela tarde de sol na Praia do Forte que a coisa começou a tomar figura. O vôvo Paulo, que não é médico nem nada, olhou com desconfiança as atitudes e desatitudes de Guy. Guy já alcançava pra lá de ano e meio, não falava nada (como até agora não fala) e também parecia não gostar de interagir com outras pessoas –seja gente grande ou gente pequena. Falou na palavra autismo, que foi fortemente rechaçada por mim. Lembro de ter dito que autista era ele. Injustiça pura, ele estava apenas preocupado. Vôvo Paulo não é médico mas teve muito ‘mininu’, como se diz na Bahia, e podia ver que algo não soava bem.
                Alguns meses depois vovô Cesar veio nos visitar e, já avisado da desconfiança do outro vôvo, passou os 15 dias observando. Saiu deveras preocupado.
                Todos concordavam num ponto muito importante: Guy deveria entrar urgentemente para uma escola. Mas, numa dessas jogadas infelizes de Breno, nossa casa estava alugada e o que restava para nós era um sítio – distante, ermo, inóspito, sem vizinhos ou escola, sem transporte ou condução.

Nestes dois meses ratificou-se o isolamento de Guy, sua aversão a pessoas (no plural) e seu entrosamento com a natureza. Guy passava o dia a brincar com pedaços de paus, pedras e folhinhas. Provocava moitas, sentava na beira do rio e ficava longo tempo contemplando. Fugia sempre em direção à água. Passava da praia ao rio, do rio à praia. Não dava trabalho. Regra geral foi gostoso, não digo o contrário. Brincamos de plantar, de cuidar da terra, de pegar camarão, de pegar onda, de dormir baixo ao céu estupidamente estrelado, de fazer fogueira. Mas seria melhor se fosse por opção, e não por falta dela.
                Quanto ao quadro de Guy, eu olhava apreensiva, mas em silêncio, pois não havia nada a fazer por enquanto. A casa seria devolvida em junho, e em junho eu tinha passagem marcada pra Soro. Até lá, assistimos ao passar do tempo, banhados pelo leite grosso da ignorância.
               








sexta-feira, 20 de maio de 2011

quinta-feira, 21 de abril de 2011

O céu que nos protege: agradecimentos


Estamos aqui, na nossa nuvem de algodão, num PEDACINHO DO CÉU.
Quero agradecer primeiramente, a toda a turma da Casa do Boneco, que me acolheu em seu seio afetivo e me ofereceu um trabalho que deu start a tudo isso. Especialmente a Say, que me ouviu nos meus momentos de agonia e torceu por nós.
Depois agradecer aos meninos d'Ambuba, Coro, Edão, Roberto, Grande, que ergueram as pilastras dessa nosso nova vida.
Agradecer a Rei, que escreve certo por linhas muito tortas (e que tanto fez e buliu, confundiu tanto nossas cabeças que culminou com a morte involuntária de algumas árvores) mas ele é Rei e deverá estar sempre certo.
Obrigada também ao povo todo de lá, principalmente Maínha Bizunga, paínho Antóim, Tim e as meninas por terem nos aturado lá nesses dias e nesses revezes.
Obrigada especial a vovô Cesar e vovó Eide e ao vovô Paulo que sempre nos socorrem nas nossas horas mais ingratas, os primeiros deram o teto, o segundo o chão e a mão (de obra)
Obrigada a vovó Solange, que anteriormente nos deu telhas que se transformaram em comida.
Obrigada a Karine e Djalma que também nos aturaram e ofereceram um teto lindo e gostoso ante dias intermináveis de chuva e vento.
Obrigada especial a Djalma que desejou com a própria alma a coclusão desta obra, e comemorou como se fosse dele a realização, e que gostaria de poder ajudar muito mais do que pôde. Djalma você é nosso irmão espiritual. Você é puro e lindo como uma alma....é por isso que você é "De Alma".
Obrigada finalmente aos três nobres cavalheiros que aceitaram esta missão sem ter o quê com isso, sem saber se iam receber, fizeram um trabalho profissional e rápido....Jairão, Boiadeiro e Muqueca. Ergueram o céu que nos proteje.
Gostaria rapidamente (pois não é meu feitio) pedir desculpas a todos que importunamos ou preocupamos com essa história. Esta pequena nuvem de algodão em nosso pedacinho do céu causou muitas e fortes emoções nas pessoas supracitadas. Foram realmente tantas emoções, parafraseando outro rei de um país tão tão distante. Desculpas ás tripas que se remoeram e nos provaram mais uma vez que estamos vivos.
Lembrando que nada disso aconteceria se não fosse a obstinação perseverante de Breno, que nunca deixa a peteca cair. Pró-ativo e otimista. Meu Amor obrigada!
Obrigada sempre a minha mãe Iemanjá (que nos traga sempre boas energias), meu pai Oxóssi (que seu manto verde nos cubra e nos proteja) e acima de tudo minha Mãe Natureza (que é quem rege tudo).
Agora pode chover, já não nos molhamos mais.
Estamos satisfeitos á beira mar, tomando overdose de natureza na veia, recebendo tudo dela por osmoze.
Não dá pra quem quer.....
(Desculpe, preciso baixar as fotos e logo posto)

domingo, 10 de abril de 2011

Simple Expedition Life

É isso aí pessoal,
hj mesmo vou para minha casa muito engraçada, não tem teto nem tem nada
parto para mais uma aventura na tentativa inesgotável de não querer ver o normal
fico lá até junho, qdo vou certamente para soro,
fico sob a proteção do céu estrelado da bahia, e do manto verde de oxossi que é o que mais me faz respirar
buscando meu traçar nesta minha simple life
mais uma vez vi que não dá pra planejar nada porque tudo está em constante transformação
e a esperança, coitada...eh a última a bater as botas

quarta-feira, 16 de março de 2011

Mamãe clichê: meu lugar comum

Eu sou uma mãe, como qualquer outra mãe. Que deixa de ser quem é, algumas horas do dia, alguns dias da semana, alguns meses no ano. Quando nao sou poeta, sou piegas. Pra ser um clichê, sou leoa. Nao fugi de mim, nao desapareci - quero crer. Estou empenhada em dar amor a quem dei a vida.  Uma aventura como tantas outras. A mais especial porem. Volto a ser eu quando posso dormir, quando posso sonhar, e nas vezes que posoo decidir sozinha. Ainda ando de moto, ainda escalo, pedalo, jogo capoeira, atravesso o rio, me banho na fonte. Ainda volto aos índios. Tenho ainda uma mochila e uma rede. Ainda bebo, ainda fumo, ainda leio, trepo ainda. Mas porem contudo todavia, carregando minha jaquinha. Craquenta, viscosa, grudenta, gostosa, deliciosa, unguenta. Cheirosa, nutritiva, pesada, calorica. A jaca minha.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Uma passadinha

Pairo aqui soh pra avisar que estamos vivos

estive trabalhando por dois meses num restaurante na peninsula onde nao pegava nem telefone nem internet, fiquei isolada do mundo, ...e sozinha neh, pois guy e breno ficaram em itacare.....

foi otima as ferias de breno, mas de guy dava uma saudaaaaaaaaade.....mas agora estou de volta...quer dizer, mais ou menos neh, minha vida esta uma quizumba, nao paro mais em itacare....

fui pra salvador esse fds, agora estou em sorocaba....sem guy tb, guy ficou com breno...sexta volto pra itacare...sabado vou pra algodoes pois vamos começar a construir......na verdade um telhadinho apenas, vamos fazer aos poucos....um telhadinmho pra acampar, ja puxamos agua do subsolo (provisorio, pois vamos fazer captação no telhado)....e jah pedimos pra ligar a energia eletrica,

tamo querendo morar lah esse ano.....debaixo desse telhado....domingo vou pra ambuba e fico lah a semana toda ateh eles terminarem de fazer o telhado, qdo terminar eu volto pra algodoes e fico lah...

lah nao tenho acesso a net, mas vou ficar indo e vindo pra itacare pois to na Casa do Boneco e tal e coisa e coisa e tal

Em breve para com calma pra contar tudo como foi