segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Soneto da Tempestade

Cheguei em Casa,
depois de 15 dias
O alface ainda na geladeira
derretido como uma geleira

As plantas
o Jardim
tudo morto
na falta de mim

Não chão, encardido
o menino descalço corria
No fuzuê da mesa
nada se achava, de tudo sei via

O 'di cume' mesmo
tá lá no mercado
Se der fome no meio da noite
vai madrugar

(Fui fazer o café,
nem açucar não tinha)

Mas o pior, é a cara de cú
é ter que lamber neste limbo
ter que agradar, ter que mimar

O vento ranca com força
o pé pela raiz
Vou salvar a Jaca

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Mais uma intermitência de Couro Lobo

Eu precisava era de Couro
Outro dia veio visitar-nos com seu pequeno Ariel, tão lobo quanto o pai
Couro senta no chão, nunca no sofá
E ele disse assim:
Cuma exemplo, você já viu a banana verde tá doce?
Já viu Jenipapo cair verde?
intão,
A fruta só da no tempo
e só no tempo

(traduzindo)
Guy vai falar na hora dele, ele ainda tá verde, mais vai amadurecer

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Escola nova e velhos amigos

Guy está indo pra escola, de condução
imagina, aquele fofinho mau humorado num puleirinho cheio de guris.
Na escola adora a pró Dani.
A escola é a cara dele, toda arborizada, área verde, ampla, ele gosta sim
outro dia ele chorou e eu quis pegar ele dos braços da pró,
imagina o micão né, ela não deixou e mandou eu vasar....rssrsrr
ele já senta na roda, fica prestando atenção nas histórinhas, adora as musicas....
são quinze alunos, uma galera
alguns ele já conhece, são de seu convívio
principalmente o Uil, filho da minha brother Say
O Uil sente um mix de amor e medo de Guy...rsrsrs
Outro dia ela dormiu em casa, e precisava ver a alegria de Guy
Uil dormiu mais cedo, e Guy ficava se embolando nele feito uma sucuri com comida no bucho
depois olhava pro Uil e sorria, olhava pro Uil e sorria....é o maior brother dele

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Sem chance

ainda sem internet....

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Quedi mamãe?

Cheguei em Salvador depois de quinze dias sem ver Guy. Quando abriu a porta, no colo do pai, Guy fez cara de medo, chorou e se enrolou no pescoço de Breno. Não quis vir com a mamãe. Parecia estar dizendo "Pô, num vem não sua bruxa,me deixou aqui e sumiu".
Tentei mais um pouquinho sua atenção com musiquinhas e tal, mas mal acabava a musica, ele corria de mim. Até que deitei na cama. Ele veio se chegando, se chegando, subiu na cama,e começou a se enrolar em mim como uma sucuri com um bezerro no bucho.
Ficou um tempão assim fazendo carinho em mim....
que gostoso!!!
Guy está muito bem, respondendo bem ao primeiro mês de terapia intensiva (desculpe o trocadilho), mais ligado.
Descobri que na escola ele como bananas em rodelas, vejam só. E mais, guarda os brinquedos....olha que kanalhinha!!!
***
A, notícia boa,
depois de ter amargado umas semanas de peso na consciência por ter recusado um hambúrguer do Mac pra Guy (levei ele no cinema, ao lada havia um Mc Donald's. Eu tinha comprado pipocas que ele adora, mas ele nem ligou,avançou no hambúrguer de duas pessoas. Eu saí arrastando ele envergonhada e não dei)
Enfim, de volta a 'babí', levei Guy pra almoçar no Mac. Eu pedi um Iogurte com frutas (delícia), e pra ele um Mc Lanche Feliz. Na primeira mastigada, Guy cuspiu tudo com cara de nojo, nem a batata não quis. Atacou meu Iogurte. E eu fiquei de comer o fedorentão.
Aí Guy, representou hein!!!! Parabéns pelo bom gôsto meu filho.

***
Sabadão curti um Jazz no Solar do Unhão. Musica boníssima a beira da Baía de Todos os Santos. Guy também adorou  (fora querer se jogar no mar).
Ai foi ótimo...existe vida na cultura de Salvador.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Vou te contar uma história: Era uma vez...Salvador

Eu num tava lá, mas dizem que Guy aprendeu a nadar segurando este espagueti aí, e que se divertiu muito e também aproveitou pra dormir muito.
To com muita saudade, mas lutando aqui pra preparar seu retorno.
Salvador, não dá pé. 
Não vou curar meu filho num lugar onde as pessoas tradicionalmente adoecem. 
Aos poucos vou descobrindo que aqui tem tudo o que ele precisa.
Vou te contar uma história: Era uma vez...Salvador











Dia dos pais na casa do vovo em PF

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Quêdi bichinho?

Acordei cedo e fiquei longos segundos procurando minha cria.
Cadê Guy meudeusdocéu? Se ele não tá aqui, ta aonde?
Estranho, vazio, triste, saudade

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Quero idéias

Levei a resso pra T.O. da equo ver.
Marília explicou que sim, é na área de Brocah, e que pelo que ela estava acostumada a ver, era uma lesão muito pequena.
Disso eu sei, por isso Guy, 'só' não fala. Se fosse maior, estaria como as outras crianças que frequentam a equo.  Com disfunções muitissimos mais  graves que do meu pequeno.
Eu perguntei se essa lesão poderia levar Guy a um dificuldade no aprendizado - meu maior pânico. Porque Guy não aprende quase nada. Marília acha que é mais por causa da falta de atenção dele.

Sim, é isso. Parece que Guy não quer se comunicar. Não quer te ouvir, não quer te olhar. É como se por gôsto, ele não gostasse de companhias
Guy come com a mão direita e com a esquerda (mesmo com aquelas colheres tortinhas de comer com a direita)
Ele bebe água sozinho. Chega na escola e bate na porta com o punho cerrado, tipo 'tem alguem aí?'.
É pouco? É pouquíssimo, mas quer dizer que ele tem capacidade de aprender.
Então a palavra mágica é 'atenção'. Temos que descobrir como puxar a atenção dele. Os espaços vazios -  ou seja, quando não tem ninguém interagindo com ele - é como se fosse (vamos dizer numa linguagem religiosa) é como se deixasse o demônio entrar e se instalar.
Uma das chaves que desencadeiam o ócio no Guy é a mão (acho que mais a direita) pois ele tem um flapping, um movimento repetitivo -a exemplo dos sintomáticos e casos de autismo - balançado a mão para cima e para baixo. Ele fixa os olhos neste movimento e não quer dar atenção a mais nada. Isso quando ele não encontra algum objeto para protagonizar este evento, na maioria dos casos, alguma coisa com cordinha, fio, penduricalho. Pedras e brinquedos de pecinhas também ajudam a mergulhar no ócio, assim como a água.
Nós - pai, mãe, tios, faxineira, professora etc...nos empenhamos em sumir com todos esses brinquedos ou objetos 'autísticos'. Tratamento de adictos. Ao mesmo tempo que tentamos chamar a atenção dele pra outras coisas. E a pergunta que se segue é: como?
Quando tiramos tudo, ele teima em voltar pra mão.
Está sendo difícil chamar atenção de Guy. Estou tentando pensar em algumas táticas, e gostaria que pudessem me dar idéias:
1a - engessar a mão dele por alguns dias (sério)
2a - um filhotinho de cachorro pra ficar enchendo o saco dele
3a - escola em tempo integral
4a- adotar uma criança
5a- produzir uma criança (isso, um irmão)

***
Ontem cheguei na escola pra buscar Guy, estava meia hora atrasada. Só estava Guy e Mamá, uma negra liiiiinda, deitados no colchãozinho. Guy estava no maior rala e rola com Mamá, se enroscando nela. Ela, só de sainha, adoraaaaaaaaando.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Minhas parentas queridas

Ontem, era quase meia noite, estava assistindo a um filme de Stanley Kubrik, o telefone tocou. Guy já estava dormindo, a compressa de argila tentando curá-lo e sujando o lençóis. Olhei no telefone, quem ligava era de um numero grande, esquisito. Quase que não atendo, pois não queria acordar o Guy. Uma preguiiiiiiça....
Atendi.
Do outro lado, a voz masculinizada inconfundível de minha irmã de ventos Mafer.
Eu disse, nossa que lonjura...
E foi assim, com um telefonema, que Mafer restabeleceu comigo um contato que estava tão exíguo. Explica-se pois minha amiga mora lá pros lados da Colômbia, fica mais na floresta do que na selva (entendeu?) e muito incomunicável.
É que eu mandei uma mensagem pra ela, as vésperas de ela embarcar para uma viagem de cerca de dois meses. Na mensagem, pedi pra ela encontrar um xamã, pra eu poder visitar, e buscar alguma cura para Guy (E para mim também. O meu Mestre Lucas aprendiz de bruxo disse que se eu quisesse curar Guy, teria que curar a mim primeiro).
Esperava uma mensagem no face, e eis que ela me liga, de lá de Letícia.

parêntesis pra evidenciar a importância que os amigos tem em nossas vidas

Ela, e algumas daquelas que foram minhas companheiras de aventuras e baladas, e alegrais e risadas, continuam fieis escudeiras.
A vida anda, agente deixa de ser adolescente, e quando a vida começa a bater na gente, ficam aquelas que são parentes mesmo.
Pois é o que dizem né, amigos são os parentes que escolhemos.
E eu, que achava que já tinha apanhado muito da vida, descobri que foi tudo um leve afago, perto da peia que to tomando agora.
Mafer veio somar forças com a dinda, Bocão, Evelin, como queiram....que está comigo em pensamento e coração, tentando me acalmar e me fazer olhar o copo meio cheio. Assim também me presta seu serviço minha caríssima cunhada, de quem o filho sou a dinda eu.
Pois, joguei no peito de Mafer, a missão de me levar a um xamã. A viagem para qual está partindo vai percorrer um povo super-xamanico (no dizer dela). Ela parte hoje e me ligou ontem pra me dizer que estaremos em seu pensamento durante toda a viagem. Me ouviu desabafando, mandou eu chorar mesmo e deixar a dor doer. E disse pra eu ir me preparando pra ir visitar a sua casa. Preparada já estou, só preciso me organizar pra levar Guy.
Obrigada Mafer, por ser minha também. E por encarar com bravura a missão que lhe confiei.
Obrigada Bocão, por ser minha também.
Obrigada Lu, por ser minha também.
(enquanto pensava neste post, recebi uma calorosa mensagem da Su, tão tão distante, que nem sabe da missa metade, mas fez-me feliz por saber que é minha também)
Obrigada Su, por ser minha também.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Jaqueline Kenedy sou eu

Dia desses acordei no meio da noite com uma imagem na cabeça
Era aquela cena antológica de JFK levando um tiro nos miolos, e Jak debruçando sobre o capô do carro na tentativa de resgatar os tais miolos.
Quem pode racionalizar a ação instintiva dela. Estava ali, tentando resgatar seu marido, seus ideais, sua história e seu futuro. Naqueles miolos estilhaçados, estavam ideias e projetos que poderiam ter dado melhores rumos ao planeta. Jak amava aquele homem e tudo o que ele significava.
Mas claro que ninguém ia colar os cacos de massa encefálica e JFK voltaria a vida normal. Aquilo foi puro impulso, puro instinto.
Aquela imagem ficou na minha cabeça por todo o dia. E fui dormir sem entender porque aquele recording me acordou no meio da noite.
É um mistério os caminhos que o cerebro usa para se comunicar comigo. Mas hoje é exatamente assim que me sinto. Cada vez que tento estimular Guy, chamá-lo pra brincadeiras, tirá-lo de seus momentos contemplativos-autisticos e deixando muito dinheiro na conta dos terapeutas.
Sinto que estou remendando o cerebro de Guy, resgatando ideias e sonhos, conhecimentos e experiencias que ele ainda não viveu.
Guy tem uma 'chave geral' que não pode ser desligada, sob pena do sistema entrar em colapso total.
A estimulação tem que ser máxima e contínua.
E eu sou a Jaqueline Kenedy da vez, debruçada no capô, juntando fragmentos de um livro em branco pra que possa ser escrito.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Doenças e terapias pra ricos

Ontem Guy começou namusicoterapia.
Enfim uma atividade que nos anima instantaneamente.
Leonardo, o gordinho de barbicha, além de musicoterapeuta é psicólogo, e parece entender do que está fazendo.
Pareceu entender o caso do Guy com clareza e até atende alguns casos como o dele.
Breno em particular ficou muito empolgado com a relação de Guy e Leonardo. Na primeira, ele conseguiu atrair a atenção do Guy, coisa que nenhum terapeuta conseguiu.
A musicoterapia é que nem remédio de planta, é bom pra tudo. Quem não se sente bem ouvindo uma boa música? Leonardo explicou que a lesão do Guy é localizada, e a musicoterapia é universal (pensando no cerebro neh). Ela mexe com inúmeras áreas do cérebro, hemisfério esquerdo e direito, e que as partes que funcionam bem, serão impulsionadas a fazer o trabalho da parte que funciona mal. Confesso que maior do que a fala, minha preocupação é em relação a intelectualidade de Guy. Se ele será capaz de atribuir signos, se será capaz de aprender, e de se expressar, seja lá como for. Pesquisando na net, li que é altamente recomendada para casos de autismo, lesão no cerebro e dificuldade na fala em crianças. Enfim, acreditamos na musicoterapia acima de tudo.
O problema é a facada. Eu que tava achando caro as sessões de cavalinho, 70 paus cada, duas vezes por semana, o gordinho pegou no âmago. 140 pau e recomendou duas por semana. Ou seja, mais de mil reais por mês. Começamos, sem saber como faremos pra pagar. Breno fala em diminuir uma sessão de equo. Embora não resolva nosso problema $.
(Estamos realmente em dúvida. A equoterapia seria mesmo pontual pro caso de Guy?)
Enfiim, acho um absurdo deixar de fazer qualquer coisa de terapia que possa ajudar Guy por causa de dinheiro, então vou marcando tudo. Mas na hora H, como? Sem o qualquer?

terça-feira, 26 de julho de 2011

concha plage




Métodos pra enfiar o cara no 'esquema'

Não existe coisa mais eficaz pra enfiar papais alternativos dentro do esquema da 'sociedade', do que a escolinha.
Primeiro que a escolinha do Guy, no caso, teve que ser na capital, o que arrastou dois jipes véios e maltratados para o asfalto lisinho e cheio de falta de buracos.
(o engraçado é que a diretora da escola tem uns dentões de ouro.....srsrsr)
Depois vem a tal da lista de material. Lá vai nós pras lojas Americanas. No xópim!
Lancheirinha do Carros 2 eu me recusei. Pomba (leia-se porra!!! - com exclamação), 80 pila numa lancheira. De jeito maneira! Comprei uma quentinha em forma de pintinho e pronto, vai dentro da mochila - que também não é de super-herói.
Queria achar uma mini-térmica, mas não há. Então comprei uma garrafinha com rosca e tampa de copinho.

UNIFORME (que aqui chama farda...ai que palavra sugestiva) - tá, tá, vá lá, que num gasta a roupa de passear. Mas pomba, 130 pila por duas bermudas e duas regatas? (o uniforme aqui na bahia é regata)

LANCHE, todo dia. Pensar numa coisa. Tem que ser saudável, gostoso, fazer o suco de fruta, um dia bolo, outro dia banana, outro dia sanduíche, outro dia....iogurte....outro dia.....hummmm....

REUNIÃO INDIVIDUAL. Bem. O lado bom é que é individual. Vai ser bom pra explicar o caso de Guy e orientar a pró (fessora). O lado ruim é que deve haver, num futuro próximo, a reunião coletiva....ai! Será que eu consigo encarar? Não vou não vou e não vou.

CONVITE DE ANIVERSÁRIO. Tudo bem também. Agora, um por semana!!! Que POMBA...eh essa, se eu comprar presente pra todo mundo num sobra pros presentes do Guy.
O que? Tem que mandar? Affff
Vamos combinar assim, a cada aniversário agente faz um deposito num cofrinho próprio,em vez de dar presente, daí quando for aniversário do seu filho, você quebra o cofrinho e compra um monte de presentes legais. Ah? Prefere ficar ganhando as porcarias que os outros pais compram?...Putz, tá bom. Vou logo avisando que vou comprar no 1,99.

Nossa, acaba de me ocorrer uma coisa. Pior do que ter tantos aniversarios. Isso quer dizer que quando for aniversário do Guy......a meu Pai! que  saco!
Tem que fazer duas festas? Ah, uma em casa outra na escola, sei.
Não, já sei, vou dizer que Guy faz aniversário no Natal.
Ah, num dá? tá lá no registro dele, sei.
Resumindo gente, não tem jeito, fui socada dentro de uma caixa quadrada com tampa e agora to quadrada também.
Com certeza não pára por aqui....

sábado, 23 de julho de 2011

Mamãe subiu no telhado

Bem, agora é a minha vez.
Eu e Breno estamos nos aprofundando mais no estudo do caso do Guy.
Descobrimos a palavra AFASIA e fomos esmiuçar tudo o que ela nos traz.
Nestes estudos, estamos descobrindo que o caso de Guy é muito mais grave do que imaginávamos. E isso está levando a mim, desta vez, a cair na fossa. Medo, insegurança, culpa são algumas das palavras que explicam minha profunda tristeza.
Breno por sua vez, acompanhando as explicações dos terapeutas, está entendendo melhor seu papel no desenvolvimento de Guy e reage com sua habitual força de vontade, insistência e otimismo.
E está tentando levantar a mim da depressão.
Eu to no remédio pra dormir, por mim, tomaria o remédio cada vez que acordasse.
Mas tem o sorriso do Guy que preenche meus buracos negros.
E tem Breno, que pode ter um monte de defeitos, mas sempre foi muito responsável com as coisas de Guy, e muito caxias com as orientações médicas.
O que faltava pra ele, quando escrevi o post anterior,era ouvir dos médicos o que eu tinha ouvido. Agora ele ouviu, entendeu, e está novamente em seu papel de super pai.
E Super marido, pra tentar curar a mim também.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Papai - inércia crônica

Estou aqui na escola do Guy. Ele está lá dentro brincando e eu, aqui fora, pronta pra socorrer, e também pensando em todas as questões que rodeiam seus desenvolvimento.
Vejo cada vez mais que o atraso do Guy é muito grande, além da fala. Guy praticamente não se comunica com o mundo, não entende o que falamos, só quer brincar sozinho, e não parece querer dizer alguma coisa, seja lá qual for a linguagem. Lendo artigos sobre o caso, um detalhe ma chamou atenção, dentre inúmeras causas, a prostação de quem convive com ele pode ajudar e muito, a não falar.
Estou prestes a deixar Guy aqui em Salvador com seu pai, sem mim por alguns dias, e isso repetidamente. Ou seja, Breno estará mais presenta na vida de Guy do que eu pelos próximos 5 meses. Mas a postura dele está me fazendo repensar a decisão. Breno está totalmente prostado. Claramente depressivo e com baixíssima alto-estima. Além de parecer não ter entendido o grau do problema do Guy, não entendeu que seu papel na convivência com ele é fundamental. Quando se propõe a brincar com Guy, não faz mais do que ficar sentado do lado dele, olhando pro nada, sem perceber que Guy está mergulhado em brincadeiras autisticas. Eu falo de cá, conversa com ele Breno. Então ele acorda, Fala duas ou três palavras, e mergulha novamente em, seu silêncio.
A verdade é que estou acordando para a real situação de Breno e me parece que ele também está precisando de cuidados.
O retrato de Breno hoje é um adolescente, que não quer ouvir bronca, quando está em casa quer ficar 'descansando', e não sabe o que vai fazer da vida. Só que ele não é um adolescente, é um adulto de 31 anos, com filho e obrigações, e é cobrado constantemente por isso. Quanto mais cobrado, mais drama faz, mais se vitimiza, mais se afunda em sua prostação.
Breno está tão preocupado com nosso relacionamento quanto eu estou preocupada com Guy. E como estou full time preocupada com Guy, não estou dando a mínima para nosso relacionamento. Quanto mais eu explico pra ele que temos que nos concentrar no Guy, "mais drama faz, mais se vitimiza, mais se afunda em sua prostação".
A postura que ele está tomando não ajudará Guy, e não ajudará a melhorar nosso relacionamento.
Quanto mais ele se mostrar inócuo, mais vou ter que repensar sua posição nos planos com Guy. Não sei o que fazer, estou meio assustada com as descobertas, com a inércia de Breno que se mostra crônica. Não poderei confiar a ele o desenvolvimento do menino, tampouco posso separar os dois. Breno precisa urgetemente se levantar e acordar para a vida.

sábado, 16 de julho de 2011

Gabi, Você é demais

Querido Gabi
Escrevo para te deixar tranquilo em relação a Guy. Ele começou na escola esta semana e foi tudo bem. Não chorou e nem reclamou. Fica a manhã toda com a tia Karina e brincando com os brinquedinhos. Tem um parquinho de areia e um escorrega.Como você já tinha ensinado ele a escorregar (lembra, lá no Parque Chico Mendes) ele lembrou e escorregou.
Nâo se preocupe quanto a merenda, pois a lancheira está voltando vazia. Ele come tudo sozinho, sem precisar de ajuda. Eu mando bolo, panetone, sanduíche, iogurte...ele acaba com tudo. Játá de uniforme e mochilinha. Segunda feira tem a primeira festinha de aniversário que ele vai ver na escola.
Obrigada por ter cuidado do Guy com tanto carinho


Um bejão da gente e logo estamos aí de novo.


sexta-feira, 15 de julho de 2011

Aconteceu em Sorocaba


Esse texto caracteriza-se melhor no Meu ser Caótico, mas está enredado na história do Guy, por isso deve ficar aqui.
A capoeira é um dos raros lugares que freqüento atualmente onde eu fico mais próxima de mim. Numa certa quinta-feira, fiz uma aula que acabou comigo. O mestre era meu Mestre Lucas, mais mestre do que nunca.
Ele foi me cansado, me cansando, quebrando minha guarda, marcando golpes fatais. Eu saí andando meio torta.
Eu queria sugerir que ele encontrasse um tratamento na acupuntura para ajudar Guy a soltar o verbo. Ele sugeriu que eu me curasse.
 Me fez ver o peso que tem cinco gramas e num passe de mágica, eu enxerguei o cenário por cima.
Entendi de verdade que a raiz da solução está em mim, no meu equilíbrio, na minha sinceridade e na minha calma, no altruísmo. Na fé principalmente.
Aquele aspirante a bruxo soltou uma meia lua no meu queixo e se saiu. Doeu, mas foi bom. Como na roda de capoeira, na vida agente aprende apanhando mesmo.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Saga de Guy - Cap 8

Empatou?
Antes de partir de Sorocaba, fomos levar a RN pra Paula Preto. Observou que há uma lesão do lado direito e do lado esquerdo do cérebro, sendo a do lado esquerdo maior (alguma semelhança com o diagnóstico do terapeuta das energias) e que sim, este quadro seria responsável por algum grau de autismo se houver, e que sim, que este quadro e o senhor responsável absoluto por seu atraso na fala (ao contrário da explicação  da Tati). O local onde está a pequena hemorragia é responsável, entre outras coisas, pela linguagem. As outras coisas são todas referentes a intelectualidade, ou seja, aprendizado. Paula e Tatiana concordam num ponto: o remédio. Fono, T.O. e equoterapia, escola normal, seja lá qual for o diagnóstico.
Ele vai falar? Pode ser que sim, pode ser que não, tem até os seis anos pra desenvolver a linguagem. Vai depender das terapias e de Deus. Ok, façamos as terapias e vamos também procurar Deus, ver quanto ele cobra, e começar.
***
Ele é autista? Não sei, quem sabe? Ninguém sabe, só o tempo dirá.
Temos que procurar uma opinião pra desempatar? Pode ser.  Pode ser também um caminho inócuo, pois de qualquer forma o tratamento é o mesmo. A Tatiana nos indicou uma neuropediatra em Salvador, que foi indica pelo seu professor lá do HC de SP. Nayara é o nome da fera, não sabia o sobrenome, mas não deve ser difícil achar pois neuropediatra é uma espécime em extinção. Breno conseguiu encontrar e ligou lá. Mais do que em extinção, sua pele é valiosa. Não aceita convênio algum, sua consulta custa 700 pila e só tem pra novembro.  O vovô falou que ele tem que ter sim um neuro orquestrando todo seu tratamento.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Vida nova ao Rei

A Escola
Primeiro dia de aula de Guy. Não, péra, não deve começar assim.
O começo deve ser da seguinte maneira:
Fui fazer a matrícula de Guy . Enquanto sentava diante da diretora, Breno levou Guy para conhecer sua possível futura sala de brincar. Denise, que é a cara da Regina Duarte, explicava pra mim sobre o período de adaptação. Que nos primeiros dias a mãe ou o pai tem que ficar na escola e tal, daqui a pouco Breno voltou sem Guy. Cadê ele? Perguntamos. Ficou lá, respondeu.
***
A pequena escola fica pertinho de casa, mais fácil a pé que de carro. Agradou por ser pequena, mais pessoal.
***
Um fenômeno
No dia seguinte, agora sim, o primeiro dia de aula de Guy, levei o menino pela mão até a sala de brincar, de uniforme, mochilinha e tudo. Entrou sem olhar pra trás, observei um pouco, depois fui ali ficar de fora.
Eu fiquei lá no banco do parquinho, esperando ouvir a mãnha de Guy me procurando, e nada aocnteceu. Fiquei olhando pra cima, olhando pro nada, desejando uma revista, um livro, uma bula, qualquer coisa pra ler. Curiosa pra espiar o guri. Nada acontecia. Pensei no meu  netbook. Quando fui avisar que iria buscar em casa, a pró Karina (em São Paulo seria tia Karina) veio com um papelzinho. Anota aqui seu telefone, se precisar eu te ligo. Olhei assim meio sem querer entender. Ele ta tranqüilo, se precisar te ligo.Tá bom então. Fui pra casa e ninguém nunca mais me ligou.
***
Hoje, o segundo dia, Guy entrou garrado na minha mão. Daí viu a Maria dentro da casinha de bonecas. Entrou atrás da Maria sem lembrar que tinha mãe. E eu parti.

Macio, meu amigo

Ontem foi um dia de grandes estréias. Além da escola, a expectativa era grande para a equoterapia. Fomos de buzú até o Parque de Exposições. La dentro, andamos muito até chegar a sede da Polícia Montada. Em território inimigo (brincadeirinha)  funciona, num esquema de parceria, a Associação Baiana de Equoterapia.
A Abae é uma instituição sem fins lucrativos, que atende pessoas com necessidades especiais ajudando-as a conquistar sua independência.
Equoterapia, um procedimento geralmente caro,  oferecida gratuitamente em Salvador. A demanda é grande, para iniciar uma sessão, é preciso enfrentar uma fila de espera de 300 pessoas, o que pode levar alguns meses, nos quais você fica torcendo pra alguém desistir, ou pra faltar três vezes sem justificativa e poder ser substituído por uma pessoa mais interessada.  Para ajudar nas despesas, quatro turnos foram reservados para atendimento particular – pago. Guy está num desses.
(Engraçado que havia uma equoterapia em Vila do Atlântico, se chamava Jaguar e, dizem, é num lugar de beleza exuberante. Mas fechou por falta de demanda.)
Marília veio nos atender. Adorei este nome. É a Terapeuta Ocupacional. Magra como um pau e de cabelos vermelhos  como o pôr do sol. Marília fez a avaliação e logo chamou Guy pra o cavalo.
Junto com ela tem dois assistentes, que, desculpe a falha, não me lembro os nomes. Um jovem e um coroa parecido com o Morgam Freemam.  Todos três esbanjando uma energia tranqüila e positiva. Marília apresentou Guy a Macio, um cavalo baixinho. Guy foi montado em Macio e, quando esboçou reclamar, Macio começou a andar. Com um leve sorriso, Guy esqueceu de dar bronca e fez uma viagem muito prazerosa em torno do campo de equitação. Nós ficamos de longe, só olhando, morrendo de orgulho de nosso pequeno cavaleiro. Agente via Guy agarrando o jovem, sorrindo pro coroa, tentando entender oque dizia Marília. Foi uma interação total. Guy adorou o lugar, tem muitos brinquedos, tem uma rampa que ele gosta de subir e depois descer na banguela. Macio foi gentil, parece ser bem maduro o cavalinho.
Saímos de lá felizes e contentes. Guy veio pra casa, brincou de massinha e dormiu cedo.