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sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Milan Kundera me console
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quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Parabéns aos machos desta casa
Mulheres da vida

quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Meu mundo por um jogo de Le Creuset

sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Hein minhas tias, já tive seis meses
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Cadê meu ser caótico?

O vovô eterno faz a passagem
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Retrato para posteridade
Bem, compramos a siripóia e teu pai pegou umas catrevagens de peixe na peixaria. Atravessamos de canoa, era meio dia, veja só! E você protegido pela sombrinha de Dona Antonia.
Arrumamos a sombrinha na areia feito guardassol, esticamos a canga, ajeitamos o travesseiro e te acomodamos.
Papai lançou a siripóia e a festa começou. O dia estava lindo, quente e gostoso, pegamos muitos siris. Papai tomava um baile pra desgarrar o siri da póia, foi muito divertido. Eles queriam fugir e teu pai cercava, jogava areia em cima deles, pelejava. Eu derrubei o balde dos siris, todos saíram correndo e foi uma luta só, mas não perdemos nenhum. Você dormiu um pouco e eu fui tomar um banho. Depois te levei na beira do mangue, você adora a natureza e o barulho dos pássaros, o brilho da água e até o vento no rosto você adora. Quando acabou, estávamos tudo e todos devidamente cheios de areia, levantamos acampamento e subimos na balsa.
Em casa você logo quis mamar e dormimos os dois. Quando acordamos teu pai tava de banho tomado e, no fogão, uma bela moqueca de siri. Tinha um vivo que pegou no dedo de seu pai, ele chacoalhou, o siri bateu no teto e saiu correndo pela casa. Agente lá em cima só ouvindo a confusão e dando risada.
Eu comi uns 4 ou 5 siris, teu pai uns 7 ou 8. Nos lambuzamos todo, foi outra bagunça. Tava uma delicia, proteína gostosa, divertida, temperada com o orgulho de termos pego nós mesmos. Seu pai avisou todo mundo inclusive. 'Olha o siri que peguei!'
Tomamos outro banho e seu pai foi passear com você pra eu poder lavar a cozinha. Você tomou um suco de lima na chuquinha e dormiu. Teu pai e eu fizemos amor e dormimos gostoso. Foi um dia incrível, yes, nós nos amamos, yes, nós sabemos pescar, sabemos viver.
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Quem sou eu
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
O curioso caso do vovô eterno
É que os velhinhos são nada mais que bebezinho de novo. Ou bebezinhos ás avessas. Estão voltando para o útero, voltando para a terra. Diluindo-se nos elementos dos quais ele é feito.
Todo mundo é louco por um bebezinho fofinho, achando graça quando ele peida ou baba, mas ninguém quer saber de um velhinho empoeirado, vivido, e que já deu, pra você e para o mundo, o que tinha que dar.
Para o bebê agente faz tudo de bom grado porque agente dá de comer e vai vendo ele crescer. O vovô você dá de comer pra ver fenecer. O bebê enroladamente vai aprender a falar e cada vez mais vai se comunicar com você. O vovô vai desaprender a falar, e quanto mais você se esforça para compreendê-lo, mas sem esperança você fica. Dá até vontade de fingir que entendeu e sair de fininho. Quando o bebê dá seus primeiros passos, você logo entende que ele está indo para o mundo, vai te encher de alegrias e orgulhos. O velhinho você pega na mão pra ele desaprender a andar. No auge de seu peso morto e pesado, em ti vai se apoiar. Quando a criança for à escola e a tia disser que ele é muito inteligente, você imaginará o futuro brilhante que ele pode ter. E todo esforço será recompensado. Ele vai te pegar no colo e dizer, mamãe você é a melhor mãe do mundo.
Enquanto o bebê tem o mundo pra conquistar e te dar de presente, o velhinho já não vai dar em nada. Pra ele, todo se esforço, seu tempo, paciência e dinheiro são exclusivamente para que não se sinta abandonado em seu leito de morte.
Nós deveríamos aqui fazer um pacto, e já o digo por mim: o de não prolongar a vida de um velhinho moribundo. Quando o galho secou, por mais que ainda haja folhas verdes, não adianta botar água no vaso. Esforcemo-nos apenas para evitar-lhe a dor e o sofrimento, mas esqueçamos a tecnologia e a ciência se for pra prolongar uma vida cansada, fazer pegar no tranco um órgão falido. Obrigá-lo a continuar funcionando a qualquer custo, só porque julgamos que deste lado é melhor.
Deixemos ir os velhinhos, seguir o curso da natureza, e apenas estejamos lá para segurar-lhe a mão quando fizer a passagem. Ele vai saber que não está só, e que tudo o que ele fez por nós valeu a pena de verdade. Seja lá o que ele tenha acertado e errado, foi bom. Muito obrigada por tudo, pode deixar que daqui vamos sozinhos.
O vovô foi esquecido neste mundo. Tem um câncer de próstata a mais de 10 anos, e este nunca se manifestou. Seus pequenos sintomas foram sempre curados com ervas, unguentos e compressas de argila. Na foto de debutante da mamãe, ele já era velho. Ele sempre foi velho. Acho que nasceu assim. Era o mais velho e capenga de todos os quatro avós, mas foi no enterro de todos os outros três. E você acha que ele tem um pé na cova? Ledo e Ivo engano, ele só quebrou mesmo o fêmur, nada além disso. Estamos preparando um testamento para deixar pra ele quando morrermos.
Pode ir em paz vovô, você não vai precisar mais me amarrar os sapatos. Vai ser simples pra mim, talvez nem tanto pra você, como naquele primeiro dia de aula, quando você deixou aquela mulher me pegar pela mão e me levar pra dentro daquele corredor infinito, aquela incógnita. Você me acenava sorrindo, eu ia chorando, perguntando por que é que eu não podia simplesmente ficar com você.
Pode parar de chorar vovô, que quando chegar lá você vai ver que é legal.
Quisera os velhinhos morrer como Benjamin Button, no colo da mulher amada, como um bebe que adormece tão serenamente que um simples sopro de vento leva-o a um lugar muito, muito menos sofrível.
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
A bruxa e a estrada, um velho caso de amor


terça-feira, 7 de julho de 2009
Guy, noticias pra você ler mais tarde
Já tomas os objetos nas mãos, elas buscam principalmente comida. Tu tens fome, não te saftisfaz plenamente o leite exclusivo. E dizes isso! Tu conversas . Falas o tempo todo, fala tudo, alta e claramente. Infelizes daqueles que não te podem compreender. Já puxas o meu cabelo, e me acaricia o seio.
Tu és quente. Suas, tens um fedozinho de suor delicioso. E que ninguém te aprisione a uma coberta. E tu tens vontade, olha vejam só! Tem mais coisas que gostas de que as que não gostas. Um exemplo? Adoras o lustre do quarto, aquela bolona com folhas secas. Não gostas do chocalho de palhacinho. Adoras a natureza, a agua é super divertida e as árvores o distraem por longo tempo.
E ris. quando te coloco no berço, quando te coloco no pufe, na cadeirinha de treking, no canguru, na moto, ris. Pra tomar banho, antes, durante e depois de dormir. Tu ris tanto que, perdoe-me o clichezásso, és a alegria da casa mesmo. Até nos dias de desilusão, de perrengue, de cansaço, tu nos cura. Pra ti nos curamos.
Guy, já és visto aventurando-se de moto pelas matas fartas desta Bahia à beira mar. É quando relaxas. Atá cair já caíste, mas quer saber? nem sequer acordaste do sono do sacolejo.És um baiano feliz.
segunda-feira, 22 de junho de 2009
A mata para nosso filho

Guy significa menino da floresta, é abreviação carinhosa para Guido, nome comum na Italia, vem do Teutônico Gwido, que significa bosque ou floresta.
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Ser realmente um defensor da natureza é para poucos. Digo isso por mim. Outro dia passou um crente panfletando pela sua fé - ou para sua igreja - e eu -que adoooooooooooro crente!!! - dei uma de louca com ele, dizendo que aquele panfletinho tinha derrubado uma árvore e que se ele respeitasse a Deus deveria respeitar a natureza. Bem, ele ouviu pacientemente meu surto e olhou pra minha casa. " E a sua casa, é toda de madeira", disse ele.
Por isso respiro aliviada, até que enfim ouço uma ação real de bom senso em benefício da amazônia e do futuro dos nossos filhotes.
Ah! quanto à cômoda, não entramos num consenso. Eu não consigo suportar a idéia de uma comoda de madeira - moro no meio de uma mata atlântica em extinção. O impasse prevalece e as roupas de Guy estão entre as nossas.
quinta-feira, 11 de junho de 2009
quarta-feira, 10 de junho de 2009
Os livros não são sinceros
Imagina que os livros me disseram que ele não poderia ficar muito tempo no colo senão ia se acostumar. Peraí, é um bebê!, que passou a vida toda envolto pela mãe!, fez uma viagem traumatizante para vir à luz!, e agora, que esta num ambiente estranho, hostil, precisando do apoio da mãe pra entender e enfrentar tudo isso, eu acho de não tocar muito nele pra ele não se acostumar. A faça-me o favor!
E o tal do intervalo de três em três horas de mamada ... ou de duas em duas, que seja. O coitado sofreu de fome. Precisando ganhar peso, massa, força pra crescer saudável, e tão acostumado à nutrição em tempo integral como é a do cordão, eu venho impactar com um jejum sem graça e sem pé nem cabeça.
Bem, contrariando todas as recomendações, me filho só toma banho de chuveiro, abraçado com o pai ou comigo, amarradão, dando risada – sensações inexistentes no banho de banheira.
Por fim, o mal (assim, com L mesmo) maior: dormir na cama. Todos os casais com filhos que você conhece te dirão para nunca, jamais, em tempo algum, deixar o bebe dormir na cama entre os pais, por que senão ‘nunca mais’ você tira.
Breno e eu somos iguais, gostamos de curtir o momento. Depois, quando chegar a hora e Guy já estiver bem aclimatado neste mundo, deixa o pau quebrar . Agente pode penar, mas coloca-o na sua caminha.
A despeito dos vícios e virtudes de Guy, ele é um bebê feliz, acorda rindo e vai dormir rindo. Ri até enquanto dorme. Aceita tranquilamente ficar sozinho no sofá ou na cama, olhando pro teto e brincando de olhar, conversando sozinho ou com quem pára pra falar com ele, e só chora mesmo pra avisar que esta com fome. Alias, como come!!!
Nosso anjinho esta engordando saudavelmente e de bem com a vida. E de bem com a vida estamos Breno e eu, tirando de letra cuidar de um bebê, no maior astral.
Os livros mesmo, nunca mais. Foi bom tê-los lido, só porque ler é sempre bom. Tampouco desaconselho você a lê-los. Mas na hora H, aja mais de acordo com seu instinto e com o vosso conforto. Você e o bebê são animais da natureza e como tal têm seu instinto. Confie em você. Quando nasce o filho nasce a mãe. A natureza sempre foi redonda, mesmo antes de existir a escrita e os escritores.
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Entre as gôndolas do mercado, os encontros inevitaveis

Por mais úteis que possam ser estes encontros, principalmente pra mim que nada sei, acaba que é tudo mera especulação. Pra clube da luluzinha só falta passar receita.
Porque virei mãe, agora devo ser mamãezinha, de lacinho rosinha...minha paciência pra clube da luluzinha é curtíssima.
Uma palavrinha sobre amamentação às futuras mamães
quarta-feira, 13 de maio de 2009
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Tantas noites perdidas
Desejei tanto ouvir o choro de Guy nos 10 dias de UTI que hoje quando ele acorda chorando no meio da madruga, eu nao me aborreço. Antes fico admirando, achando graça em suas caretas magoadas.
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Eles esticam meu peito
terça-feira, 5 de maio de 2009
Esses primeiros dias de adaptação
Dar conta de dois homens exigentes: uma deliciosa batalha sem tréguas. Representar uma puta cheirando a leite azedo é uma rapadura.
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Pacotinho
Os sinais entre vocês.
Hoje penso nos primeiros dias e chega dá pena do pobrezinho. Eu, sem saber nada sobre ele, fiz ele sofrer atoa varias vezes.
A caixinha vai sendo preenchida nesses primeiros encontros.
É a sua caixinha cheia de amor.
sábado, 25 de abril de 2009
sexta-feira, 24 de abril de 2009
Esmeralda gosta de índios
Morava numa choupana sem energia ou água, numa roça no meio da floresta, uma casa engraçada, sem parede nem móveis. Um áquario de vidro, arrodeado de árvores grandes, pés de banana, orquídeas e bromélias, uma cachoeira, morcegos, cobras, escorpiões, macacos e tatus. Preguiças e lagartos. Um friozinho gostoso no litoral da tropical Bahia. Uma lua de mel interminável, um amor diário que não escondia a vontade de se tornar uma família. Destes amôres que não precisam de contraceptivos, porque de tão verdadeiro, e vivo, é fértil como todas as coisas que são vivas de verdade. Destes amôres que toda noite ensaiam o balé de seu ultimo momento, de seu amor derradeiro e que toda noite celebram a sorte de um fruto.
Eis que esmeralda engravidou e, no instante seguinte ao primeiro enjôo, no mesmo momento esqueceu como que por um passe de mágica, da parteira cigana americana, do parto no mato, e da casa engraçada. Neto de médicos não nasce no meio do mato, porque por mais índio que Esmeralda queira ser, ela é antes de tudo urbana. Esmeralda podia estar descontaminando-se, mais não estava descontaminada.
Mudou de casa, foi pra cidade. Não pra babilônia, babilônia nunca mais. Itacaré é uma cidade pequena, de 25 mil habitantes, igreja matriz, orla marítima, umas 30 praias paradisíacas, turística, lojinhas e restaurantes abertos a noite na rua do comércio. Rodas de capoeira na praça, show de arrocha e de música evangélica, e também muito reggae e forró pra que der e vier.
Esmeralda tinha uma casa na rua do comércio, com energia elétrica, água, esgoto aberto. Fogão, geladeira e TV. Notebbok e celular. Foi pra lá que esmeralda se mudou, afim não-sei-de-quê segurança, conforto e comodiade.
Não podia, imagina se, Deus me livre acontece alguma coisa no parto. E o bebe sofra, a mãe morra, os dois morrem. Ela mesma, somente neste ano de 2008 havia precisado três vezes de um hospital. A última vez, três meses antes de engravidar, Esmeralda chegou semi-morta a emergência do Hospital São Jorge, da rede particular de Ilhéus, cooperada a seu convênio. Ele estava no meio do nada quando teve os primeiros sintomas e a jornada até um hospital levou três dias. O Hospital curou-a com seus antibióticos, mas até hoje não se sabe o que teve Esmeralda. Não era o caso de doença rara ou desconhecida, mas de incompetência médica ou, no mínimo, ambulatorial. Foi pra casa sem saber o que teve, e hoje, está em casa, pensando no que poderia acontecer se seu filho nascesse num hospital como esse. Sem São Paulo não dá.
A gravidez foi ótima, de uma preguiça ociosa gostosa somente permitida pela tranqüilidade da alma. Sol pela manhã, praia, comida natural , como o era sempre, vitaminas para o bebe, prioridade nas filas e nos assentos.
No oitavo mês Esmeralda foi pra casa dos pais, no interior de São Paulo, pra dar à luz o bebê. Se fez tanto ultrassom e visitou tanto a médica era porque tinha agora um certo medo do parto normal, desses em que se sofre horas as dores dentro de um hospital, pra que, na hora que seu filho nascer, eles o peguem antes de você e o levem, e lavem, e só te devolvem se acham que ta tudo bem. De certo que quando nascer, vão o levar, o lavar e devolver só quando der, mas pelo menos não sofreria horas a dor do parto, e o bebe não nasceria com o cordão enrolado no pescoço.
Esmeralda fez tanto ultrassom e visitou tanto a médica que a médica decidiu que o bebe já havia alcançado os 38 meses, tempo que, pra sua medicina, é suficiente pra formação completa e perfeita do feto.
Era onze de março e o tempo tinha virado, amanheceu chuviscando naquele dia que seguia tantos outros de sol. A mala estava pronta e todos estavam ansiosos pra conhecera o filho de Esmeralda.
Às nove e trinta e quatro da noite, a sala de parto parecia ume estádio, pois além dos holofotes, dos médicos e enfermeiras, suas máscaras, a filmadora e a anestesista, a platéia também estava lá: pai e avós.
Levaram o bebê e não trouxeram mais. Esmeralda demorou 24 horas pra vê-lo e sete dias para pegá-lo. Ele não foi pra casa quando nasceu, foi pra UTI. Quem foi pra casa foi Esmeralda, sem filho, sem barriga, sem moral. Quem era Esmeralda pra querer ser índio? O que teve foi que ele não tava na hora de nascer. Tava quietinho, bem, seguro e bulindo muito na barriga. Quem era Esmeral pra interromper?Quem era a médica pra dizer que interromper é natural, que a fruta dá antes do tempo? Que a evolução da vida em milhões de anos é menos sábia que uma medicina ceintífica centenária.
Quem sofreu foi o bebe, que foi puxado a ferro, tomou mais de 35 tipos de remédio pra fazer o que a natureza faria sem nenhum, ficou 10 dias com um tubo enterrado na goela, numa sala de luz de geladeira, cheia de bips e twins, pessoas vestindo luvas pra tocar nele, e ainda nasceu antes do dia de seu aniversário. Ninguém jamais saberá o dia do aniversário dele.
Graças a Deus foi que o bebê no final se saiu bem, sem seqüelas nem maiores complicações. O que ele deu foi um susto mesmo, um baita susto pra mostrar a que veio, pra não deixar que a mãe desvie-se do caminho a que vai, no qual recebeu ele, pra que não se esqueça dos índios, muito menos em nome dele, e que dali pra diante tivesse mais responsabilidade. Era uma viva alma pra Esmeralda cuidar. Agora Esmeralda é mãe, sem dores, sem medos, sem vaidade. È um ser que subiu alguns degraus pra mais perto do céu. A única coisa que ela deseja com a própria vida é a saúde do filho. E só agora, com Guy nas mãos, ela entendeu o que é isso.
quinta-feira, 23 de abril de 2009
A jaca
A jaca é pesada, suas cracas ofendem a pele, seu visgo escorre e gruda, e tudo gruda nele. Pra carregar uma jaca durante uma longa caminhada, só gostando muito mesmo. De repente, durante o caminho, você se pergunta por que cargas d’água trouxeste essa fruta. Quando você parar para saboreá-la, vai compreender tudo porem.
Ao partir sua casca grossa, ainda que com dificuldade, o cheiro de jaca madura começa a tomar conta do ambiente e da alma, e você poderá reafirmar sua gana de carregar a jaca. Quando morder aquele bago da jaca dura, madura, vai ter certeza do que fez. A jaca é forte, nutritiva, doce, deliciosa. E ainda vai querer carregá-la por todos caminhos quanto andar.
quarta-feira, 22 de abril de 2009
O pé!
segunda-feira, 20 de abril de 2009
Manancial de vidas
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O mangue é o berço de toda vida marinha. Há quem se engane com seu cheiro de podre, com sua lama imunda. O cheiro é do que há de mais puro e limpo na natureza. Cuidado com seus pés impregnados da cidade pra não imundiciar essa lama higiênica.
A andada acontece na mesma época, ano após ano, geração após geração. Antigamente a andada atraía assim de gente, seus sacos, caçuás e manzuás, charretes, cômbis, burros de carga, tantos opressores do amor no manguezal, que se aproveitaram da dança do acasalamento para lucrar. Antigamente tinha muito caranguejo.
Apesar da poluição, da opressão e da caça, o amor no mangue persistiu. Persiste. Seu ventre esta repleto de carangueijinhos, aratuzinhos, guaiamunzinhos, peixinhos, gentinhas. O mangue é o ventre do mar. A lama é o ventre do mangue. Meu ventre na lama.
***
Eu sou a terra, sou o ventre, sou a lama - fedida e pura. Dentro de mim fincam suas raízes as árvores. Pra fora cuspo seu fruto. Pra fora da terra, para a vida, para o mundo, pra o que puder devorá-lo. Pra cair no chão e se esbagaçar. O fruto do amor entre a terra e um pé de pau.