quinta-feira, 30 de junho de 2011

Saga de Guy - Cap 2

The Begin       
         Parecia que não, mas passou. E chegou o dia em que retomamos a casa. E também em que tomamos o avião. Em Soro, comecei imediatamente a visitar os médicos, todos.
A primeira que visitamos foi a neuropediatra Paula Preto. CDF com jeitinho de doida, acabara de voltar da Alemanha onde defendeu sua tese de doutorado.  Paula conhece Guy desde que nasceu, sabe todo seu histórico. Entrevistou, observou, pediu Ressonância e Eletro. No final da consulta disse que ele realmente parece autista.





Nossa jornada em Soro contaria ainda com inúmeras visitas a médicos. Neuro, endócrino, pediatra, outro neuro, gene, oftalmo, fono, outro fono, todos. Fui até em Ruben, um terapeuta de cura interior.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Saga de Guy - cap 1

 O leite grosso da ignorância
Enfim, aqui estou. Ou melhor, aqui estamos nós.
Foram longos meses de sentimento desamparado e insegurança, sem casa nem roupa lavada e enfim, posso ver o portão de saída. Este post deveria se chamar My new life.
O blog Meu pé de Jaca  foi criado inicialmente para registrar as venturas e desventuras desta pessoinha que chegou em minha vida há pouco mais de dois anos. De um tempo pra cá eu parei de escrever por vários motivos, já até falei sobre isso anteriormente. Eu tinha que falar de Guy, mas como fazer isso sem botar o dedo na ferida. Por algum tempo quis ignorar todos aqueles sinais, esse foi um dos motivos da ausência no jardim das jaqueiras.
Foi numa bela tarde de sol na Praia do Forte que a coisa começou a tomar figura. O vôvo Paulo, que não é médico nem nada, olhou com desconfiança as atitudes e desatitudes de Guy. Guy já alcançava pra lá de ano e meio, não falava nada (como até agora não fala) e também parecia não gostar de interagir com outras pessoas –seja gente grande ou gente pequena. Falou na palavra autismo, que foi fortemente rechaçada por mim. Lembro de ter dito que autista era ele. Injustiça pura, ele estava apenas preocupado. Vôvo Paulo não é médico mas teve muito ‘mininu’, como se diz na Bahia, e podia ver que algo não soava bem.
                Alguns meses depois vovô Cesar veio nos visitar e, já avisado da desconfiança do outro vôvo, passou os 15 dias observando. Saiu deveras preocupado.
                Todos concordavam num ponto muito importante: Guy deveria entrar urgentemente para uma escola. Mas, numa dessas jogadas infelizes de Breno, nossa casa estava alugada e o que restava para nós era um sítio – distante, ermo, inóspito, sem vizinhos ou escola, sem transporte ou condução.

Nestes dois meses ratificou-se o isolamento de Guy, sua aversão a pessoas (no plural) e seu entrosamento com a natureza. Guy passava o dia a brincar com pedaços de paus, pedras e folhinhas. Provocava moitas, sentava na beira do rio e ficava longo tempo contemplando. Fugia sempre em direção à água. Passava da praia ao rio, do rio à praia. Não dava trabalho. Regra geral foi gostoso, não digo o contrário. Brincamos de plantar, de cuidar da terra, de pegar camarão, de pegar onda, de dormir baixo ao céu estupidamente estrelado, de fazer fogueira. Mas seria melhor se fosse por opção, e não por falta dela.
                Quanto ao quadro de Guy, eu olhava apreensiva, mas em silêncio, pois não havia nada a fazer por enquanto. A casa seria devolvida em junho, e em junho eu tinha passagem marcada pra Soro. Até lá, assistimos ao passar do tempo, banhados pelo leite grosso da ignorância.
               








sexta-feira, 20 de maio de 2011

quinta-feira, 21 de abril de 2011

O céu que nos protege: agradecimentos


Estamos aqui, na nossa nuvem de algodão, num PEDACINHO DO CÉU.
Quero agradecer primeiramente, a toda a turma da Casa do Boneco, que me acolheu em seu seio afetivo e me ofereceu um trabalho que deu start a tudo isso. Especialmente a Say, que me ouviu nos meus momentos de agonia e torceu por nós.
Depois agradecer aos meninos d'Ambuba, Coro, Edão, Roberto, Grande, que ergueram as pilastras dessa nosso nova vida.
Agradecer a Rei, que escreve certo por linhas muito tortas (e que tanto fez e buliu, confundiu tanto nossas cabeças que culminou com a morte involuntária de algumas árvores) mas ele é Rei e deverá estar sempre certo.
Obrigada também ao povo todo de lá, principalmente Maínha Bizunga, paínho Antóim, Tim e as meninas por terem nos aturado lá nesses dias e nesses revezes.
Obrigada especial a vovô Cesar e vovó Eide e ao vovô Paulo que sempre nos socorrem nas nossas horas mais ingratas, os primeiros deram o teto, o segundo o chão e a mão (de obra)
Obrigada a vovó Solange, que anteriormente nos deu telhas que se transformaram em comida.
Obrigada a Karine e Djalma que também nos aturaram e ofereceram um teto lindo e gostoso ante dias intermináveis de chuva e vento.
Obrigada especial a Djalma que desejou com a própria alma a coclusão desta obra, e comemorou como se fosse dele a realização, e que gostaria de poder ajudar muito mais do que pôde. Djalma você é nosso irmão espiritual. Você é puro e lindo como uma alma....é por isso que você é "De Alma".
Obrigada finalmente aos três nobres cavalheiros que aceitaram esta missão sem ter o quê com isso, sem saber se iam receber, fizeram um trabalho profissional e rápido....Jairão, Boiadeiro e Muqueca. Ergueram o céu que nos proteje.
Gostaria rapidamente (pois não é meu feitio) pedir desculpas a todos que importunamos ou preocupamos com essa história. Esta pequena nuvem de algodão em nosso pedacinho do céu causou muitas e fortes emoções nas pessoas supracitadas. Foram realmente tantas emoções, parafraseando outro rei de um país tão tão distante. Desculpas ás tripas que se remoeram e nos provaram mais uma vez que estamos vivos.
Lembrando que nada disso aconteceria se não fosse a obstinação perseverante de Breno, que nunca deixa a peteca cair. Pró-ativo e otimista. Meu Amor obrigada!
Obrigada sempre a minha mãe Iemanjá (que nos traga sempre boas energias), meu pai Oxóssi (que seu manto verde nos cubra e nos proteja) e acima de tudo minha Mãe Natureza (que é quem rege tudo).
Agora pode chover, já não nos molhamos mais.
Estamos satisfeitos á beira mar, tomando overdose de natureza na veia, recebendo tudo dela por osmoze.
Não dá pra quem quer.....
(Desculpe, preciso baixar as fotos e logo posto)

domingo, 10 de abril de 2011

Simple Expedition Life

É isso aí pessoal,
hj mesmo vou para minha casa muito engraçada, não tem teto nem tem nada
parto para mais uma aventura na tentativa inesgotável de não querer ver o normal
fico lá até junho, qdo vou certamente para soro,
fico sob a proteção do céu estrelado da bahia, e do manto verde de oxossi que é o que mais me faz respirar
buscando meu traçar nesta minha simple life
mais uma vez vi que não dá pra planejar nada porque tudo está em constante transformação
e a esperança, coitada...eh a última a bater as botas

quarta-feira, 16 de março de 2011

Mamãe clichê: meu lugar comum

Eu sou uma mãe, como qualquer outra mãe. Que deixa de ser quem é, algumas horas do dia, alguns dias da semana, alguns meses no ano. Quando nao sou poeta, sou piegas. Pra ser um clichê, sou leoa. Nao fugi de mim, nao desapareci - quero crer. Estou empenhada em dar amor a quem dei a vida.  Uma aventura como tantas outras. A mais especial porem. Volto a ser eu quando posso dormir, quando posso sonhar, e nas vezes que posoo decidir sozinha. Ainda ando de moto, ainda escalo, pedalo, jogo capoeira, atravesso o rio, me banho na fonte. Ainda volto aos índios. Tenho ainda uma mochila e uma rede. Ainda bebo, ainda fumo, ainda leio, trepo ainda. Mas porem contudo todavia, carregando minha jaquinha. Craquenta, viscosa, grudenta, gostosa, deliciosa, unguenta. Cheirosa, nutritiva, pesada, calorica. A jaca minha.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Uma passadinha

Pairo aqui soh pra avisar que estamos vivos

estive trabalhando por dois meses num restaurante na peninsula onde nao pegava nem telefone nem internet, fiquei isolada do mundo, ...e sozinha neh, pois guy e breno ficaram em itacare.....

foi otima as ferias de breno, mas de guy dava uma saudaaaaaaaaade.....mas agora estou de volta...quer dizer, mais ou menos neh, minha vida esta uma quizumba, nao paro mais em itacare....

fui pra salvador esse fds, agora estou em sorocaba....sem guy tb, guy ficou com breno...sexta volto pra itacare...sabado vou pra algodoes pois vamos começar a construir......na verdade um telhadinho apenas, vamos fazer aos poucos....um telhadinmho pra acampar, ja puxamos agua do subsolo (provisorio, pois vamos fazer captação no telhado)....e jah pedimos pra ligar a energia eletrica,

tamo querendo morar lah esse ano.....debaixo desse telhado....domingo vou pra ambuba e fico lah a semana toda ateh eles terminarem de fazer o telhado, qdo terminar eu volto pra algodoes e fico lah...

lah nao tenho acesso a net, mas vou ficar indo e vindo pra itacare pois to na Casa do Boneco e tal e coisa e coisa e tal

Em breve para com calma pra contar tudo como foi

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Um dia no Quilombo D'Oiti














Da rio pra rede, da rede pro mangue, do mangue pra rede, da rede pro rio....

Guy ou dorme, ou está na água

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Blogueira de araque na ABL

Eu sei, eu sei, é verdade, estive ausente deste blog. Ausente tanto que talvez perdesse o estatus de blog. Se para este houvesse uma lei, talvez a primeira delas seria a da Atualização, e dentro desse cenário, se estivesse diante de um delegado, teria de fazer a seguinte confissão. Realmente eu não sou blogueira. Eu sou escritora. Pronto, confessei. E como uma escritora sem livros publicados, vim buscar o blog como veículo das minhas escritas. Nem tanto com meio de divulgação - pois meus leitores são raros, apenas aqueles que tem um contato muito intimo comigo, além de alguns gatos pingados perdidos pela net - mas sim como meio de exercitar e de armazenar, de arquivar meu linguajar.
Permita-me ensaiar uma mea culpa -sei que não tenho nada que me justificar, mas apenas como exercício literário: Nestes ultimos meses minha atividade intelectual - que assim prova não ser além - esteve voltada para a tal da Oficina de Reportagem que dei lá na Casa do Boneco pra meninada da comunidade. Também minha inspiração foi toda automatizada para os trabalhos de assessora de imprensa que me jogou no colo esta mesma Casa do Boneco - textos principalmente. Ademais, meu pensamento esta muito fixado em questões práticas e burocráticas: estou montando uma cafeteria, fazendo cursos de capacitação, tenho uma casa pra zelar e um filho pra cuidar. Café da manhã, faxina, almoço, outra faxina, quando você pensa que vai relaxar, o sol abre e o dever de mãe me manda levar Guy à praia.Estou organizando minha vida para desocupar esta casa, deixá-la livre para as bem-vindas locações de verão - faz mala, desfaz; guarda na caixa, precisou, procura na caixa. Que caixa? não sei tem que olhar em todas. Deixei o blog para as horas vagas, qua ainda não apareceram.
Escrevo aqui pois um leitor anônimo me provocou, eu o agradeço por isso.
Ao cabo desta semana juro-me ter livrado de todos esses brechós. Serei enfim 95% transpiração - subindo e descendo as ladeiras da Ambuba, remando canoa rio adelante, buscando água, cortando lenha - e 5% inspiração, que naquele terreno significa muito, pois no ar se respira sabedoria, tranquilidade e poesia.
Por tais circusntancias, igualmente não prometo a atualização constante. Não há eletricidade em Ambuba. Hei de levar meu papiro e minha pena. Na pior das hipótesis, passado o carnaval, o blog vai estar bombando de conteúdo.
Digo e repito, não estou buscando o troféu de Blogueira do Ano, desejo antes, uma cadeira na ABL. Tenho muitos livros prontos em minha cabeça, não tenho como passar pro papel pois os afazeres me chamam. Você bem sabe que pra escrever um livro o escritor precisa de sossego e solidão (eu pelo menos)- qualidades inimágináveis para mim neste momento. Algum gato pingado perdido pela internet, se quiser me patrocinar o primeiro livro, posso repensar a coisa do blog.....

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

A singela história de um jardim (ou) Mais um capítulo da história colonial

Tudo começou ainda na obra. O arquiteto sonhou um pequeno pedaço de jardim, pra aproveitar em baixo da escada que ninguem gosta de passar. Ia ter umas pedrinha e uma arvorezinha. O arquiteto, que ainda tinha uma pampa em estado de dichavação, comprou uma arvorezinha, com galhinho, folhinhas verdes escuras e tal. Lá no recibo, carimbado 300 reais. Quase ninguém estranhou uma arvorezinha tão comum, tão chuchu, custar tão caro. De recibo em recibo, quando a obra acabou, o arquiteto já tinha uma pajero, zerinha, graças ao seu trabalho suado.
Tudo bem.
Aí a loja, nonde o jardinzinho ficava, foi alugada por uma bestinha que ficou triste por ser barrada na porta da Austrália, com mala, papagaio e cuia, dizendo que queria visitar o irmão. O papai, doidivanas, de dó, alugou uma loja pra ela, botou móveis. Ela, pra deixar a loja ainda mais bonita, tirou a arvorezinha, botou dentro do trocador (?), e substituiu no lugar um lindo vaso, com uma daquelas palmeiras de tronco grosso e folhas finas, não me lembro o nome.
Tudo bem.
Daí que a bestinha faliu, lógico, fechou, e do dia pra noite sumiu, levando meu martelo, as entradas de lâmpadas, sua palmeira e claro, a arvorezinha.
Passou algum tempo, sem que ninguém reparasse aquele jardim órfão.
Um dia, eu, euzinha, decidi animar a coisa. Pedi pra uma amiga, ela me deu dinheirinho em penca, mil cores e bambus. Plantei ali em baixo de casa, nonde o jardinzinho ficava. Todo-santo-dia descia, duas vezes por dia, com o baldinho molhar as plantinhas. Tinha uma trepadeira ligeira, de folhas roxas que começou a subir a escada. Todo-santo-dia eu ia quase com uma régua, medir quanto centimentros a trepadeira avançara. Era um orgulho. Até pé de manjericão eu botei. Arrodeei de pedras brancas.
Quando pensava que ia poder usar o manejericão na macarronada, aquele cheiro de xixi, um mundaréu de moscas....meu jardinzinho tinha virado um banheiro. O desgraçado parece que tinha raiva, pois vinha todo-santo-dia, de madrugada. Eu amanhecia e tava lá, uma verdadeira piscina. Eu tinha tanta raiva que desejava ardentemente jogar uma pedra na cabeça deste desgraçado. Mas seguia firme. Até o dia em que a loja foi alugada novamente. Um caipira ignorante de Teixeira de Freitas, desses que usa bota de bico fino com saltinho. O caipira esperou eu sair, foi lá, podou os bambus quase na raiz. Subiu cada degrau da minha escada, maquiavelicamente, desenrolou, volta por volta, minha trepadeira e lá embaixo, podou ela quase na raiz. Eu cheguei, fiquei quase sem voz. "Ela cresce de novo", disse o estrume. Ganhei um ódio mortal por esse caipira que ainda tenho que aturar. Abandonei o jardinzinho novamente. Certa feita, algum porco jogou uma enorme espinha de peixe, com cabeça inteira e tudo. O pessoal da loja esperou a cabeça do peixa se decompor, mas não limpou o jardim deserto. Pelo menos o cara parou de mijar. De raiva, todo-santo-dia eu molhava meus gravatás, suspensos do lado de fora, e deixava a agua pingar nos manequins, surda às reclamações das funcionárias. Mas o cara da dengue acabou com minha doce vingança quando mandou sacrificar meus gravatás.
Daí que minha vizinha, uma velhinha com cara de mendiga, pescadora de nome Norá, nos presenteou, plantando varias mudinhas de flor no jardinzinho, o que reviveu em mim o amor pela beleza e a esperança na humanidade. Voltei a descer todo-santo-dia pra enchaguar as plantinhas.
Tudo ótimo.
Até que um dia, o desgraçado mijador, passou e viu o jardinzinho plantado. Com ódio da beleza -pois por mira, seus olhos só vêem feiúra - voltou a mijar no jardim todo-santo-dia.
A verdade é o seguinte, a civilização de hoje -que pode ser tudo na vida, menos civilização - não tem mais o amor pela beleza. Os índios da amazônia se pintam porque amam a beleza. Os africanos de todas as tribos se adornam todos, porque amam a beleza. Os maias, os incas, suas indumentárias apoteóticas diziam amor à beleza. Para os muçulmanos, Deus está nas coisas belas.
Aí chegou a maldita civilização, que até hoje impera, e acabaram com tudo, mataram todo mundo, e instalaram o amor a miséria, á desigualdade e á feiúra. Em nossas ruas não há mais arquitetura. A poluição visual nos sufoca - àqueles que não se acostumam - a poluição sonora então...aiai. As meninas, as pessoas que se enfeitam, fazem isso hoje, não por amor à beleza, mas por vaidade, um pecado.
Trouxeram a cobiça, que superfatura nossas mudas, depois de ter acabado com nossas árvores. Trouxeram a inveja, que mija de raiva num jardim bem cuidado. Trouxeram a ganância, que nos rouba pés de planta. Trouxeram a ignorância, que não sabe que uma simples fatia de banana impede a dengue de botar ovos. Trouxeram a estupidez, que acha que uma loja fica mais bonita com um deserto que virou lixeira do que com um jardim bonitinho. Os europeus chegam aqui hoje, e se assustam com a feiura das cidades, a malaedacacion de seus súditos, a pobreza de espírito, esquecendo-se que foram eles que nos produziram - e nos reproduziram. Norá, essa que plantou o jardim, fez isso porque está limpa. Tem cara de mendinga, ninguém dá bola pra ela. É pescadora, vive a essência, ama a beleza.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Guy percussionista

Genten!
Vamos dar inicio, sabado 18, a uma oficina de reportagem num lugar chamado CASA DO BONECO
(entrem nos blogs ao lado: Rede Mocambos e Quilombo D'Oiti pra saber mais sobre o lugar)
Lá, tradicionalmente, os meninos assistidos tem aulas de várias coisas, a maioria delas com o objetivo de resgatar suas matrizes culturais africanas.
Além das aulas da oficina, também vou lá para fazer aulas de capoeira Angola, ou simplesmente passear no Quilombo D'Oiti, uma ilha MARA a beira do Rio de Contas
Com o convívio entre tambores, atabaques e pandeiros, Guy finalmente se encontrou.
Fotos da tia Say

Serezumanos felasdaputa

Eu não tinha essa cara fechada, amarrada. Ando na rua sem querer olhar ninguém, que parece que tem aqueles pedacinhos de madeira que limitam a visão do burro, coisa que me foge o nome. Eu não era assim, eu costumava gostar de todo mundo, eu sorria, conversava, gargalhava, tentava ajudar, eu era ótima. O mundo parecia um grande campo de fazer amizades.
Hoje não. Eu não tenho mais essa sensação. Olha, nem sequer me lembro quando foi que isso mudou, nem tampouco o porquê. Hoje eu deixo de ir ao mercado comprar o que falta pra não ter que encontrar conhecidos. Tenho uma preguiça imeeeeensa de ter meu caminhar interrompido pra responder a perguntas de chatos
Imagine-se você, aí na sua cidade grande, em Sorocaba, ou Salvador, ou São Paulo, se
conhecesse to-do-mun-do da cidade. Você sai pra ir à padaria, e daqui até a esquina, encontra umas três ou quatro pessoas que você conhece. E tem que parar pra falar com todos, e nem tem tanto assunto assim, porque vocês se encontraram ontem também, sabem tudo um do outro, e ainda tem que responder se tá tudo bem, como é que está sua família, se vai viajar de novo e pra onde e por quanto tempo, se já conseguiu vender o carro, ou a casa, se ta malhando. Depois que terminam as perguntas, vem uma parte mais dura, o chato te dá um monte de conselhos pra melhorar seu dia, pra saúde do seu filho, pra vender a casa mais rápididamente, pra escolher um esporte. O desgraçado não sabe como resolver a vida dele, mas é um repositório de boas soluções para a minha vida. Durante um tempo você leva na esportiva, mas depois vai te enchendo.
Aí eu descobri um antídoto contra as perguntas dos chatos. Passei a jogar no outro time. O dos que perguntam. Como estratagema, cada conhecido que encontrar, você vai jogando um montão de perguntas, geralmente sem dar tempo do outro terminar de responder e já manda outra, que assim ele não consegue virar o jogo e passar a perguntar. É como no Jiu-Jitso, quando você está por baixo do cara, você tem que ficar dando explicações, quando você passa a guarda, você ta ganhando.
Quando você entra pelo mercado, de novo, mais dois conhecidos. E no trânsito, no caminho pro trabalho, no trabalho, na porta de casa quando vc sai pra molhar umas plantas. E se não sai, o feladaputa que passa na frente da sua casa, lembra de gritar seu nome, ou do seu filho, só pra mostrar que lembrou, já imaginou?
Olha, o que eu to sofrendo eu já sei, é uma preguiça violenta do ser humano, de ouvir seus papos, de saber dos causos, de ouvir notícias ruins. É incrível a capacidade do ser humano de produzir/dar más notícias. Eu to cuma preguiça da Dilma que não posso nem olhar na cara dela, uma preguiça de pensar porque a política continua vitimando a minha mãe natureza.
Uma indignação com o barulho exagerado. O ‘serumano’ é muito barulhento, meu Deus pra quê!!!! Uma preguiça danada de tentar saber meu interlocutor é sincero, se ta falando a verdade, se posso confiar naquela pessoa. Eu não confio em ninguém, aprendi assim, a vida me ensinou, fazer o quê. Tenho culpa? O serumano é essencialmente ruim e obscuro.
Antes eu me importava com as pessoas, hoje eu não ligo, não to nem aí pra ninguém, que todos se explodam.
Não é com orgulho que confesso, eu sei que estou perdendo muita coisa sentada sobre esta postura. Breno diz que eu estou amarga, pede pra que eu não seja ‘tão’. Eu sei, tadinho, ele tem razão. Ele é invejavelmente (alguns diriam irritantemente) alto-astral (e esse é meu antídoto – em doses homeopáticas). Mas é como eu sinto. Não acredito mais em Deus – isso também é uma confissão. Por onde ando, olho, ouço, não vejo Deus. Eu sei que deveria, mas não vejo.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Retrato de um domingo

Pulamos da cama com um susto meu ao ouvir uma buzina na rua. Pensei que era vovó que já vinha despedir-se. Guy já estava acordado, quieto. Breno ia buscar pão quando vovusko e vovuska chegaram com Fran e Gu pra dizer até logo. Em seguida, Irado chegou e tomou café da manhã com agente, que tinha bolinho e carimã e uma coisa feita de tapioca que eu não sei o nome, mas que com um café pretinho fica uma beleza.
Depois da relaxada matinal – baiano quando acorda precisa dar uma descansada, pra depois começar seus afazeres – Breno foi à feira buscar as frutas e eu fiquei com Guy, que assistia a um desenho – UP Altas Aventuras (“Um explorador é amigo de todos: planta, peixe e até bezouro”)*
No vai e vem de Breno perdemos a praia, pois ele teria que sair as 16 horas, e já era meio dia. Guy dormiu e nós fomos fazer o camarão no bafo com uma lata de cerveja pra acompanhar – UMA! e almoçamos o resté donté do molho de camarão com ostras maravilha da vovó.
Guy acordou, almoçou, e fomos todos pra rodoviária levar o papai que ia pra Salvador – está auxiliando/estagiando o vovô Paulo em sua cafeteria. Dizque terça-feira vai fazer um curso de barista. Aí enfim vai entender o que significa a malfadada crema sobre o espresso (com S).
Depois de embarcar o papai, Guy ensaiou um choro, mas logo esqueceu. Compramos um filme e depois Guy foi andando, de mãos dadas comigo, desde a rodoviária até em casa. Um feito, é claro, pois até ontem ele jamais andaria por tão longo sem parar pra juntar porcarias do chão. E um alívio pra minha judiada coluna. Chegamos em casa e demos uma leve laricada, Guy brincou e eu, a maníaca obsessiva, faxinei. Guy viu outro desenho – Kung Fu Panda (“Você está muito preocupado com o que foi e com o que será. Ontem é história, amanhã é mistério, mas o hoje é uma dádiva, por isso chamamos ‘presente”)* – e eu viajei na sessão de antiguidades de um site de compras– to enxodozada!
Tomamos um banho, não sem antes receber a chata da Lena se convidando pra assistir um filme em minha casa. Não sei porque eu falei pra ela que ia ficar sozinha a semana toda, sendo que eu quero mesmo é ficar sozinha (com Guy). Detalhe que o filme é um cocô total, eu já tinha visto este com Breno (os primeiros 10 minutos). E eu, doida pra ver a matéria do Dr. Dráuzio, “É bom pra quê”, pois tava com cara que ia falar mal dos tratamentos fitoterápicos. Eu tomo chazinhos geralmente pra dormir (camomila, maracujá, liamba) ou pra gripe (alho ou gengibre) ou pra ressaca (boldo sem cozinhar) ou bronquite (liamba**). Mas realmente, para doenças graves, eu acho que não esperaria um tratamento a longo prazo. Com Guy, por exemplo, hipotireoideo, taco puran T4 e florais de Saint-German.
Me livrei de Lena quando pedi pra ela voltar lá pelas onze, depois que Guy dormisse. Pra ela ficava tarde. Tita e Cauã apareceram pra uma visitinha, tomamos um chazinho né! E os meninos brincaram um pouco, tudo a tempo de ligar a tela pouco antes de começar a matéria do Dr. Dráuzio. Enquanto papai esperava o Ferry Boat, em meio a uma confusão de cachaceiros voltado pra Salvador depois de um domingo comendo água na ilha, Guy quebrou um vidrinho de lentinha e foi maior trabalho, pois ele queria ainda por cima brincar com a lentilha envidraçada. Resolvi o babado dando um potinho com feijão, pra bem longe dos cacos. Quando terminei de limpar o vidro, a casa tava puro feijão, parecia que tavamos pagando penitência pisando milho. Mas, tudo pelo silêncio!
O titio chegou, quis também ele tomar um chazinho né! E Guy logo adormeceu no sofá duro me. Titio foi embora, Guy foi pra cama. Em Salvador, papai rezava para não ser vítima de violência urbana enquanto esperava o buzú numa parada super perigosa. Eu fiz um pão, e deixei o feijão todo no chão.
* Trechos dos filmes
** O que é liamba? acesse este link http://www.youtube.com/watch?v=9gdaQPr8NLE

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Esses dias de inverno


olha, demorei mesmo de escrever pois sabe como é minha vida muito
atribulada, muito trabalho, agenda sempre cheia...muitas reuniões de
negócios e coqueteils...mas enfim....consegui um tempinho naminh
agendapra ver os emails.....rrsrssrsrr
resumindo...muitos dias de preguiça e o computador parado.....
Aqui estamosp assando muitos dias de verão, calor e sol, praia pra
gastar energia do Guy, e de noite o inverno se mostra com suas
tempestades torrencias, vento forte, e um leve friozinho.....
Guy está muito safado e briguento, briga com todos na rua que vem
falar com ele, distribiu tapas e faz agente passar o maior carão, mas
enfim, é um bebe e ninguem pode achar ruim, agente tenta dizer,
didaticamente e .....cal - ma - en - te pra ele que nao pode, por
enquanto ainda nao funcionou
quando queremos um pouco de paz, taca logo MADAGASCAR 2 que vc
consegue duas horinhas pra fazer o q quiser, guy estará hipnotizado,
sabe, sou contra ficar colocando muita teevisão nele, mas de vez em
qdo, eu peço menos.....

fora isso, ele vai a praia quase todo dia, brinca muito, sozinho
mesmo, eu fico estatelada, aproveitando pra descançar....ele passa
por cima da canga das meninas, entra no meio do jogo de futebol, fica
no meio dos meninos jogando capoeira, pega o frisbi - aquele disco que
joga e ele volta na mao da pessoa, tipo bumerang - dos outros e nao
quer devolver, ele apronta muito na praia e deixa bem o seu recado:
"Essa praia é minha"....
nas ondas é que mais se diverte, ele vai entrando, entrando, e a onda
dá um maior pacote nele, ele sai rolando e cai sentado, levanta e
continua querendo entrar...ai vem uma mae bem chata que esta por perto
cuidando de seus filhos:..olha, a onda vai pegar seu filho...e eu, bem
de saco cheio delas digo....só vou buscar se ficar roxo ou se ver
sangue...hahahaha
Nosso café ta saindo, de va gar e sem pre, assianmos o contrato de locação e tiramos o alvará, estamos correndo atras agora de fazer a avaliação do imovel que será a garantia e depois entramos com o projeto, td muito lento, um teste de paciencia, qdo vc ve os dias passando, ninguem trabalhando, as contas chegando....so, keep walking ...


Aqui em casa a mesma falta de fazer de sempre,


estamos esperando vender o carrro, a moto, o carrinho, berço, cadeirinha do guy, soh falta vender a mae
enqto nao vendemos a caranga, vamos fazend o que o baiano faz de
melhor....relaxarrrr..r.r.rssrsrsr
que remédio neh my friend
O breno foi no terreiro fazer uma limpeza esses dias, tmou banho de
ervas peladao e matou um galo no pisão...pra ver se abre os caminhos
dele....é que descobrimos que a EX fez uma macumba de morte pra ele....huuuuu...de arrepiar neh, mas eh verdade, mas agora já esta desfeito

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Onde enfiar o papai Noel?

Estavamos aqui, meu consorte e eu, refletindo sobre a inteligencia de uma criança, que com seu chocante poder de formar perguntas complexamente simples, pode por em xeuqe qualquer 'mentirinha saudável' que venhamos a contá-lo, as vezes até aquelas mentirinhas que nos contaram e que nunca mais fomos capaz de questionar. Pois bem, e o que dizer do papai Noel?
-Devemos manter a fantasia enquanto ele é uma criança, e com o tempo ele vai sacando que o papai Noel é o pai e a mãe dele - resumiu o pai engessado.
-Eu tenho um amigo muti doido que conta que o maior trauma de sua vida foi do dia em que descobriu que o papai noel é uma mentira - complicou a mãe apocalíptica. E quis mais confusão:
-Pode até ser que o natal seja uma data cultural - e o é - mas é antes uma data religiosa, que teve origem em um causo contado pela igreja católica, sobre o nascimento do supra-valorizado Jesus. Eu por exemplo que não cultuo a Jesus como as pessoas comuns, como posso passar isso para meu filho? Como fazer força pra acreditar na igreja, em Jesus, no papai Noel, pra poder criar essa fantasia pra ele e depois de um tempo, desmentir tudo? - e, apelando mais um pouco:
- E aquela fantasia de coca-cola, aquelas peles todas, que calor, nada a ver! Neve, chaminés, lareiras, não temos nada disso aqui!
- A, pensa entao como se ele fosse apenas mais um personagem infantil - simplificou o pai Caymista.
Bem, o argumento do pai é bastante sólido, podemos colocar o papai Noel no patamar do coelhinho da páscoa, por exemplo, um personagem que traz presentes. Mas aqui no âmago, não me convenci. Você caro leitor, o que me diz?

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Frases da semana

"Agente precisa comer mais comidas italianas tipo: Randeli, Rondineli e candeloni...."


"O problema é que tá acabando a lama no mundo"


"Nesses ultimos tempos eu descobri o poder chocante da paciência"

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Perco o marido mas não perco a piada

Capitulo I
Eu sou avessa a televisão, não é novidade pra ninguém. Também não é novidade que não consigo suportar 5 minutos de novela. Por isso Breno ficou muito surpreso ontem quando, ao chegar em casa, topou comigo assistindo a novela Passione. Então, num tom tipo: aha!!! peguei você no flagra, ele ironizou:
- O quê???? Vendo novela. Que está acontecendo com a senhora esquisita? Esta ficando normal?
- É que eu quero ver as paisagens da Itália. Adoooooooooooooro!!!
Ele, rapidamente passou a bufar de ciúme:
-Rapaz, você gosta tanto assim da Itália por causa daquele italiano que você ficou?
- Não querido, ao contrário. Eu fiquei com aquele italiano porque eu gosto da Itália.
Capitulo II
-Ah eh? Então porque você não foi arrumar um marido lá na Itália?
- Porque a passagem pra Bahia é mais barata!

quarta-feira, 23 de junho de 2010