
Mamães que leem este blog, respondam-me por favor, por onde anda o ser que vos habitava antes de tornarem-se mães?
Eu ia andando pela rua meio tranquilamente, portando um tripé e uma câmera. Ia fazer as fotos de uma livraria na orla e Guy ficou com Breno. Carla, uma colega nossa, mãe de dois filhos pequenos (Caléu de 9 meses e Rudá de uma ano e meio) ia passando de bike, meio apressada, com os pães.
Cadê o Guy, perguntou sem parar a bike. Tô sozinha hoje, livre!!!. respondi entusiasmada. E ela: ai que delícia!!!
Imagino que pra Carla a conotação de 'estar sozinha' deve ser muito maior pois ela, com dois pimpolhinhos, deve conseguir este feito com muito menos frequência.
Continuei minha caminhada rumo à livraria. Como seria bom se nós mães pudéssemos dar-nos mais a este deleite: ficar sem os filhos. Cheguei no local das fotos, o portão fechado, as janelas cerradas, ainda era manhã. Não serei impertinente em bater e tirar as meninas do sono, ou forçá-las a receberem-me de pijamas. Dei meia volta e pensei: vou aproveitar pra fazer alguma coisa e....
Que coisa? que posso fazer nessas duas horas de liberdade? Aí me deparei com um muro. Eu nao tenho nenhuma idéia, a não ser voltar pra casa.
Quero dizer....fico rezando pra Guy pegar no sono e quando ele dorme fico feito barata tonta pela casa, procurando o que fazer, sem no entanto encontrar. Finalmente ligo a internet e vou ler, escrever, pesquisar, mas o fato é que sem vigilância, acabei sumindo, por um tempo que já nem sei mais como calcular. E hoje, no meu tempo livre, me senti vazia como há muito não sentia. (Desculpem minhas queridas amigas, vocês a quem eu sempre preguei a liberdade total e o respeito integral às próprias vontades)
Sem vigilância, o ser caótico que me habitava escapou ante a paisagem bucólica do casamento.
(Mas ele, a entidade do movimento, não deve ter ido muito longe, vou já buscá-lo).